Quarto Dia do Tour du Mont Blanc – Parte 1

Parte I: insanidade e beleza

O plano para este dia foi ousado: caminhar do Rifugio Bertone, primeiro abrigo acima de Courmayuer (4,2 km depois da cidade) até La Fouly, na Suiça. E ainda pegando a variante pela Tête Le Tronche, Col Sapin e Col Entre Deux Saults, do Rifugio Bertone para o Bonatti, mais de 30km de percurso.

Saímos do Rifugio Bertone, a 1989 mts, às 8h10 e tomamos a variante logo acima. Este foi definitivamente o trecho de paisagens mais espetaculares até agora. Paramos várias vezes no Mont de La Saxe em puro extase.

Se antes tínhamos dúvida se deveriamos pegar esta variante, pelo fato do nosso trajeto ser longo neste dia, lá em cima ficamos felizes pela opção. Devemos ter gastado mais de 30 min só para tirar fotos, nesta parte inicial do trecho.

Seguimos para Tête la Tronche, a 2534 mts, e descemos ao Col Sapin, a 2436, descendo ainda mais para a parte alta do Val Arminaz, a 2100 mts, para subir ao Col Entre Deux Saults a 2524, descer ao Rifugio Bonatti a 2020mts. Gastamos 5h, eu não tinha visto comentários sobre este trecho e só no Bonatti que soube que costuma-se levar 6h. Em certos momentos, voltei a questionar se teria sido mesmo uma boa escolha, mas por fim conclui: bendita ignorância!

Paramos 30min para comer algo e seguimos para o Rifugio Elena, que está a 2067mts.

Além do encantamento com a estrutura e a beleza do Rifugio Bonatti e do Val Ferret e as montanhas logo em frente, tivemos uma feliz surpresa: reencontramos os 2 casais de senhores franceses com que interagimos desde o Bonhomme. Já não esperava encontrá-los mais e no caminho até o Bonatti percebi que mesmo com tantas paisagens o Tour é também marcado pelo encontro com pessoas, uma experiência também coletiva.

Terceiro dia do Tour du Mont Blanc

Dia 3: Tour du Mont Blanc

Hoje fizemos um trecho mais curto 9km, 4h de caminhada. Dia para relaxar.

Acordamos mais tarde e descemos às 11h do Refúgio Maison Vieille, no Col do Chekrout para Courmayer. Uma descida em torno de 700mts de desnível em 1h30, mais uma caminhada de 20 min até o centro.

Chegamos exatamente na hora do almoço, paramos para tomar um gelatto, celebrando nosso único dia completo na Itália no Tour. Tínhamos tanta folga que esperamos o supermercado abrir, pois fecham para o almoço.

Às 16h, pegamos o caminho para o Refúgio Bertone, com 2h de caminhada mas em uma subida de 700mts de desnível. Ou seja, no final do dia estávamos praticamente na mesma altitude em que começamos, só que do outro lado do vale com uma vista estonteante do Mont Blanc, do Dent du Geant até o Gran Paradiso. Esta vista e a excelente infraestrutura do abrigo desfez a possível tristeza por não ter conseguido vaga no Refúgio Bonatti.

O destaque do dia foi o maravilhoso por do sol por trás do Mont Blanc.

Segundo dia do Tour du Mont Blanc – Parte 2

Dia 2: Tour du Mont Blanc –  Parte II

Passamos pela Casermetta, parando por 15 minutos para ver o espaço Mont Blanc, com fotos e maquete do maciço.
Cruzamos um longo planalto onde vimos pela primeira vez as marmotas.

Chegamos à base do Refúgio Elisabetta, a 2195 mts, às 14h37. Completamos o lanche e saímos às 14h56. Abaixo do refúgio há outro longo planalto cortado por uma estradinha que se estende até a Cabana du Combal, 1970 mts de onde retomamos a trilha e subimos para o Arp-Vieille supérieure, com ponto mais alto na Arète du Mont Favre a 2435 mts.

Descemos para o Col de Col Chécrouit, a 1956 mts, cheganso ao Refúgio Maison Vieille às 18h50. Cansados, mas felizes. Um lugar lindo, em meio a pequenas florestas de pinheiros e com uma visão mravilhosa da montanhas, exatamente abaixo da face do Mont Blanc do lado Italiano.

Os destaques do dia foram o contraste entre o clima frio com neve, terreno árido, no início e as dificuldades de orientação e a linda tarde com as montanhas entre sol e nuvens floresta ensolarada na chegada, e o Refúgio de Maison Vieille com sua cantina italiana, cheia de penduricalhos e fotos, comida deliciosa, sem o tumulto dos refúgios clássicos, e o visual sensacional.

 

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Segundo dia do Tour du Mont Blanc – Parte 1

Dia 2 : Tour do Mont Blanc

Parte I

Plano: pegar a variante do Col de Fours até Ville des Glaciers, subir o Col de Seigne, passar pelo Refúgio Elisabetta, pelo Lac Combal, subir o Arp-Vieille supérieure  e seguir até o Col Chécrouit, para dormir no Refúgio Maison de Vieille.   Já chegamos bem próximo  a Courmayeur. Um dia longo,  com previsão de 9h40 de caminhada sem contar paradas, por mais de 21km.

Choveu  muito durante a noite, com raios, e nevou também, amanhecendo com muito vento e frio. O que me fez temer pelas condições de orientação no Col de Fours. Conversei com alguns guias locais e resolvi seguir o plano.

Saindo do Refúgio, subimos ao Col de La Croix  du Bonhomme, a 2479 mts, para tirar uma foto sem outros caminhantes e o vento forte estava terrivelmente frio. Se no dia anterior chegamos ali com muito calor, de bermuda e camisa dryfit, de manhã tivemos que colocar as roupas de frio. De madrugada, a mínima  foi -1 grau e mesmo depois de 8h estava fazendo  5 graus, mas com sensação térmica  de temperatura negativa.

Com as mãos congelando, começamos a subir para o Col des Fours às 8h12. Pouco à  frente já  encontramos algumas pessoas que desistiram e retornavam, mas continuamos a seguir o plano.

Quando chegamos  ao Col de Fours, a 2665 mts, vimos que a neve realmente tinha escondido a trilha e não  havia marcações para a descida do Col.   Conseguimos achar a trilha pouco abaixo e descemos até  Ville des Glaciers, com parada em banheiro público e na fazenda para experimentar e comprar o delicioso e perigoso queijo Beaufort. 😉

Depois de uma longa e dura subida, com vento contra, chegamos ao Col de la Seigne, a 2516 mts,  às 13h07.

 

Primeiro dia do Tour du Mont Blanc

Eu não tive acesso à internet ontem, só agora. Hoje foi nosso segundo dia. Mais longo do que normalmente se faz, por dificuldades que tive nas reservas nos.abrigos, mas foi sensacional. O trecho que fizemos hoje cobriu quase dois dias do roteiro clássico do Tour, foi sensacional. Amanhã farei o relato do dia 2.

Segue o relato so 1o dia:
Alvorecer no 1o dia do nosso Tour du Mont Blanc

Após a chegada em Chamonix com as nuvens cobrindo algumas montanhas, no dia 14 de julho amanhecemos com céu limpo. Vista surpreendente das montanhas nevadas e promessa de um belo domingo de sol.

O plano foi começarmos o Tour em Les Contamines Montjoie, em vez de Les Hoches, para podermos ficar no Refúgio de La Croix de Bonhomme, do Clube Alpino Francês . 14 de julho era única data possível para nós.

Assim, tomamos um trem de Chamonix, às 7h15, para Saint Gervais-Le Fayet e de lá um ônibus para Les Contamines.

Dia 1 Tour du Mont Blanc

Caminhamos pela vila de Les Contamines até a Capela de Notre Dame de La Gorge. Ao sair do asfalto, entramos em uma trilha larga e plana em meio a um parque, gastando 38 min até a Capela.

Ali encontramos uma sinalização de 4h até o Col de Bonhomme e de 4h50 até o Refúgio.

Saímos de La Gorge às 10h12 e chegamos no Col du Bonhomme às 13h38, com muitas paradas para fotos e um lanche, em La Balme, de 11h33 às 11h50, Lá encontramos uma estação com banheiro público e água potável, 50m metros antes do abrigo de La Balme. Um bom exemplo de estrutura de apoio para uma trilha de alta frequência. Este foi o último ponto de água até o refúgio.

Paramos para almoçar e apreciar a bela “visage” do Col.
Saímos de lá às 14h20 e chegamos no refúgio de La Croix du Bonhomme às 15h05, parando outras tantas vezes para fotos.

Gastamos no total 4h53, incluíndo todas as nossas paradas.

O tempo de caminhada da Capela de Notre Dame de La Gorge até o Refúgio foi de 3h52, mesmo com as muitas paradas para fotos.

Iniciamos ao 1030mts de altitude na vila de Les Contamines, atingindo 2329 mts no Col do Bonhomme e finalizando a 2479 mts no Col de La Croix du Bonhomme, e o refúgio a 2443mts.

Toda a sinalização se refere à tempo de caminhada e não a distância, mas caminhamos em torno de 14km.

O destaque do dia foi encontrarmos neve em alguns trechos, sendo um deles longo e logo abaixo do Col du Bonhomme, quase um “micro glaciar”, e também no próprio Col.

Por fim, tive a forte impressão de que este setor do Tour du Mont Blanc se assemelha à Trilha do Açu, no PNSO, na época da antiga Isabeloca, porém mais longo e com algumas partes de pouca inclinação intermediando as subidas.

A subida final para o Col do Bonhomme é bem parecida com a antiga Isabeloca até no estado de degradação de algumas partes. Há também um caminho quase reto, usado nas descidas.

Já o trecho do Col du Bonhomme para o refúgio tem o jeito do Chapadão: sobe, desce, sobe, desce, anda e anda, até subir para o mirante do Col de La Croix du Bonhomme e descer para o abrigo.

 

Seio da Mulher de Pedra

No último domingo (7jul), subimos o Seio da Mulher de Pedra (PETP). A ideia inicial era a Travessia Serra dos Órgãos, via Petrópolis – Teresópolis. Porém, a previsão de ventos muito fortes nos fez seguir para um “plano B”: um bate e volta no domingo (quando era esperada melhora do tempo).

A mulher de pedra, é uma curiosa formação rochosa no Parque Estadual dos Três Picos (RJ), nos limites da Cidade de Teresópolis, bairro de Vargem Grande. A peculiaridade desta montanha fica pelas morros independentes que quando vistos de certo ângulo da cidade formam o rosto de uma mulher e seu seio.

A caminhada até o cume (2040m alt.) é acessível por uma trilha, iniciando já em 1100m de altitude. Um misto de floresta, escalaminhada, lajetos, pontos com corda, apenas dois pontos de água no início e um “toca para cima” sem fim, em cerca de 6KM (ida) de um trekking considerado pesado.

Com isso fica o meu agradecimento pelas risadas, bate papo e aprendizados. Obrigado parceiros Leandro Do Carmo, Renato Teixeira e Marcelo Da Rocha Lopes do Niteroiense e aos amigos da Jornada Científica de Montanhismo Maria Fernanda May e Rafael Damiati por terem concedido a honra de guiá-los.

Foto: Marcelo da Rocha, João do Carmo e Leandro do Carmo.

Morro da Barra da Peixe, Santa Maria Madalena

Fazenda Barra do Peixe, Santa Maria Madalena, Via Na Natureza Selvagem,
D1 3 IIIsup E3 190mts, conquista de Felipe Dallorto e Flavia dos Anjos –
Com Mauro Mello, Ivison Rubim, Sandro Costa e Suzana Hecksher @ Santa Maria Madalena, Rio de Janeiro

No segundo dia em Madalena, fizemos uma atividade mais leve, escalando na Pedra da Barra do Peixe. Via com um lindo diedro, muito bom de fazer, encaixando o pé na maior parte dele. Alguns lances expostos e muitas lacas soltas.
O vento virou e trouxe um spray de chuva, com ameaça de mudança no clima, e decidimos descer quando tínhamos subido em torno de 130mts e a pedra já ficava mais positiva.

Há outras duas vias nesta mesma parede: Big Hard Sun, D1 3 IIIsup E3 190mts, que fizemos uma parte na atividade exploratória em novembro de 2018, e Noite sem Fim,  D1 2 V E2 180mts.

 

 

Pedra Dubois, em Santa Maria Madalena: Escalada e Trilha

Pedra Dubois

Escalada na Via Reino Mágico D4 4 V E3 1035mts (Felipe Dallorto, Flavia dos Anjos e Claudney Neves) e Trilha

http://www.carioca.org.br/croqui/croqui-cec.psp?0598

Partimos de NIterói às 4h, passamos na pousada Colônia de Férias da Asperj às 8h para deixar as coisas e, Blanco, Leandro do Carmo, Mauro Mello e eu, partimos para a base da Via Reino Mágico.

A Via Reino Mágico foi conquistada por Felipe Dallorto, Flavia dos Anjos e Claudney Neves.  Este foi meu retorno depois de quase 7 anos. Lembranças boas que renderam uma atividade preparatória em novembro de 2018 para a atividade deste dia.

 

 

 

 

Entramos na “trilha” para a base da via às 9h. Caminho fechado, mato alto. Definitivamente, foi o crux da via! Às 9h50 começamos a escalar. Ivison, Sandro, Simone e Suzana foram um pouco mais tarde e começaram a trilha às 10h50.

Base da via

Base da via 

 

Fizemos os primeiros esticões da via, 540mts de costões, em 1h10 e finalizamos a via Reino Mágico às 15h, totalizando 5h para as duas cordadas, com o primeiro chegando em 4h10. Melhor do que prevíamos. O grupo que seguiu pela trilha, com calma, levou 2h40 para chegar ao cume e nos aguardaram para a descida. O Ivison e o Sandro foram nos encontrar no final da via, caminho que o Ivison conheceu na atividade exploratória/preparatória que fizemos em novembro de 2018. Começamos a descer às 15h30 e chegamos na entrada da Fazenda Diboá às 17h10. Excelente dia.
#clubeniteroiensedemontanhismo

Travessia da Neblina + Mirante do Inferno + São Pedro

Travessia da Neblina + Mirante do Inferno + São Pedro

18km ida e volta a partir da barragem + 2km dos trechos ida e volta ao estacionamento, 1267 de ganho de elevação, 13kg nas costas, 2 trechos de escalada e 1 de costão. Paisagens sensacionais, amigos e muita ralação. Excelente dia!

Iniciamos na barragem às 7h27,
pegamos a trilha para o Nariz do Frade/Verruga do Frade na altura do antigo abrigo 2, subindo pelo Paredão Roy-Roy. Atingimos base do Nariz do Frade/Verruga e subimos o costão para o Queixo do Frade, e rumamos para o Morro da Cruz. Visuais alucinantes, pedras, nuvens, florestas, subida forte e encantamento.

Cruzamos o Vale da Orquídeas até a base do Mirante do Inferno. Vista sensacional da Agulha do Diabo, a mais bela. Tomamos uma pequena trilha para direita em direção ao contraforte do Morro de São Pedro e fizemos um trecho de aproximadamente 80 metros de escalada, que dividimos em 3 esticões, por estarmos em duas cordadas triplas. Vendo de cima o mirante do Inferno e a Agulha de lado, seguimos para o cume do Morro de São Pedro por uma trilha muito fechada, quase um vara mato.

Chegamos no São Pedro nos últimos minutos de claridade, vendo a Agulha de cima. Seguimos para o Abrigo 4, passando pela Pedra Baleia. Descemos até a Cota 2000 e passando ao lado do Morro da Cruz, pelo Paredão Paraguaio, com raios iluminando o céu. Tomamos um pouco de chuva a partir do zig-zag após a Cachoeira do Papel e chegamos de volta à barragem entre 22h05 e 22h20. Praticamente 15h de atividade, com muita paradas para contemplação e descanso. Grande dia!
#clubecnm

Cordada CNM CET no Morro dos Cabritos

Cordada CNM CET no Morro dos Cabritos

Via Mario Arnaud, D3 5 VI A1 E1, Morro dos Cabritos, Vale dos Frades, Teresópolis

Voltei 8 anos depois. Deixamos o carro às 6h20, chegamos na base às 7h. Começamos a escalar às 7h30. Fomos à francesa até a P6, alternando escalada da P1 até a P3, 3 e 4 de aderência, caminhada até a P4, escalada, caminhada e escalada da P4 até a P8.

Do meio da P6 até a P8 escalada de aderência e micro agarras escondidas por líquens, com lances de IV, com Leandrinho do CET, tio do Vinicius CNM, no meio e Blanco seguindo à francesa, usando só metade da segunda corda. Chegamos na P8 às 9h30. Blanco guiou a horizontal, com final difícil, seguida do diedro, de 3o sup, com o inicio para dedos pequenos, quase cego . Foi até o grampo abaixo da P9. Com grampo no início, o Blanco só colocou um camalot 0.5 em 10m de diedro. Disse que do meio para cima era mais fácil, onde realmente foi IIIsup. Eu tb já achava o início mais forte. Leandrinho e eu, subimos com segurança de cima.

Da P9 até a P12, voltei a guiar fazendo em cada esticão o sistema de guiar chegar na parada e os dois virem juntos, com Blanco subindo à francesa. Vento forte desde a P6. Difícil de manter a postura típica de aderência nas rajadas de vento. Parava e colava o corpo, e 4o grau de aderência/micro agarras comendo solto. Isto nos atrasou. Era quase assim: alguém gritava – Marcelo, o vento diminuiu, vai rápido! Caminhada em terreno sensível da P12 para P13.

Chegamos na base do A1 às 12h10. Guiei a parte vertical do A1, passando pela aquela saída delicada, Blanco a segunda parte. E para minha imensa alegria consegui guiar, gemendo, a 14a enfiada: uma sequência com os 3 lances mais duros da via: uma aderência de IVsup, V em agarrinhas e um diedro com lance de VI. Só não consegui subir no diedro em livre 😞, tive que puxar na costura, pé molhado. Em cima do diedro o último lance em micro agarras, deve ter dado um VI tb.

Chegamos na 15a parada às 15h05. Foram 7h35min de escalada, sofrimento com o vento e felicidade pura no final. Caminhada até o cume. Descemos às 15h50. Após sequência de rapeis entremeados por caminhadas, chegamos de volta à base às 19h10 – total de 11h40min de jornada na via. @ Vale Dos Frades