Cronologia de uma parceria do bem

Por Patrícia Gregory e Stephanie Maia

No início do ano fomos convidados pela Neltur (Niterói – Empresa de Lazer e Turismo) para nos apresentarmos e falar sobre o clube. Contamos um pouco sobre nossa história, falamos dos nossos objetivos enquanto Clube de Montanhismo e explicamos o que fazemos. Na ocasião ficamos de pensar de que forma poderíamos estabelecer uma parceria que pudesse atender aos nossos interesses institucionais e ao mesmo tempo fosse de interesse público.

Ainda nessa primeira reunião, sem que soubéssemos, estávamos plantando a semente para uma futura ação conjunta que promete ser de grande interesse público, em muitos sentidos. Relatamos, na ocasião, que em 2017 adquirimos uma Juliette, a cadeira do “Projeto Montanha para Todos”, adaptada para levar pessoas com deficiências para fazer trilhas, e desde então, junto aos nossos associados, temos conseguido proporcionar a experiência de estar em ambientes naturais, a quem nos procura com esse desejo. Essa é uma vivência muito rica, tanto para quem é levado para o passeio, quanto para nossos associados voluntários que se revezam na condução da cadeira.

Desta forma, a Neltur entrou em contato conosco novamente para propor a parceria e participar de um treinamento oferecido pela Secretaria Municipal de Acessibilidade, para o atendimento de pessoas com deficiência. Esse treinamento teve como objetivo a capacitação de pessoal para a implantação  do programa “Niterói EcoTur Sem Barreiras”.

Essa iniciativa da Neltur, realizada em parceria conosco, com a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade e com a Secretaria Municipal de Acessibilidade consiste em ofertar à população niteroiense e aos turistas e visitantes da cidade, passeios gratuitos, guiados por profissionais inscritos no CADASTUR, através de inscrições prévias, duas vezes por mês, pelas trilhas da cidade, com a quantidade de participantes variando em conformidade com o nível de dificuldade de cada trilha e com as orientações para prevenção da COVID-19.

Como o próprio nome do projeto sugere ‘sem barreiras’ trata-se de um movimento de inclusão de pessoas com deficiência, e nosso papel é disponibilizar a Julietti 0006 e sensibilizarmos nossos associados e o público em geral a participarem dessas ações inclusivas.

Ficamos satisfeitos pela oportunidade de poder compartilhar um pouco da nossa vivência em montanhismo com as pessoas que muitas vezes nunca estiveram numa trilha por terem limitações físicas e agora podem, com a nossa ajuda!

A inauguração do projeto foi ontem e foi um sucesso!

Por mais sorrisos e olhos brilhando, de todos os envolvidos

Abaixo segue o link com matéria publicada no G1, que cobriu o evento de inauguração.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/05/24/niteroi-tera-trilhas-acessiveis-para-cadeirantes-no-parque-da-cidade-veja-como-agendar.ghtml?fbclid=IwAR3oCqsBPLCzEtUiweMyxVKY-9XrKOdpp3nnHwcHoV7BekHANG9sGdgNMzw

Uso de Proteções Fixas do CNM para novas conquistas

Niterói – RJ, abril de 2021

Prezados associados e associadas,

No ano de 2020, o CNM aderiu a uma campanha de arrecadação de fundos lançada pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro – FEMERJ. Esta campanha foi necessária para equilibrar as contas da FEMERJ, pois a não realização do evento Rio Nas Montanhas, ATM 2020, em virtude do anúncio da Pandemia de COVID-19, comprometeu o orçamento da federação. Com isso, o objetivo era que cada ente da federação comprasse da FEMERJ uma cota de 60 conjuntos de parabolts e chapas de 316L ao custo de 18,90 (dezoito reais e noventa centavos) cada, totalizando 1.134,00 (mil cento e trinta e quarto reais) de contribuição de cada clube federado.

Foi feita uma campanha entre os sócios do CNM e graças às doações de 27 (vinte e sete) pessoas (nomeadas no final desse documento), conseguimos arrecadar 2.079,00 (dois mil e setenta e nove reais), mais do que a meta estipulada, e adquirimos 110 (cento e dez) conjuntos de proteções. Essas, pertencem ao clube e serão utilizadas para a realização de novas conquistas.

O sócio escalador que tenha um projeto de conquista, poderá submetê-lo à diretoria para apreciação e distribuição das proteções. Nesse projeto, deverão constar os nomes de todos escaladores envolvidos, o local e um cronograma da conquista. Além disso, as novas conquistas devem respeitar os princípios de mínimo impacto previstos no código de ética local; se forem realizadas em unidade de conservação devem obedecer às regras da mesma, sendo de sua responsabilidade a consulta sobre locais permitidos, pedidos de autorização ou comunicação do empreendimento à administração da unidade, se a mesma exigir. Caso a unidade não aprove a conquista, as proteções não serão cedidas. Por fim, o solicitante deverá assumir o compromisso de doar a via ao CNM. Observamos que além do descrito acima será levada em consideração a demonstração do conhecimento técnico do solicitante sobre o uso das proteções em questão.

Atenciosamente,

A Diretoria

Doadores da campanha financeira

Alan Marra

Alan Rangel

Alberto Matrilhas

Ary Carlos

Blanco Pinheiro

Bruna Letícia

Eduardo Duarte

Fernando Marques

Guilherme Gregory

Ivison da Costa Rubim

João do Carmo

Leandro do Carmo

Luis Augusto Avellar

Marcelo Correa

Márcia Oliveira

Marcos Lima

Michel Cipolatti

Rafael Faria

Renato Teixeira

Roberto Leal

Samantha Rossi

Sando Monteiro da Costa

Suzana Dantas

Taffarel Ramos

Thiago Lima

Vander Silva

Zoé Caveari

 

Para quem perdeu!

Já estão disponíveis, no nosso canal YouTube, os vídeos com as palestras virtuais que ocorreram no dia 18 de janeiro, com André Costa e no 08 de março com Andréia Oliveira.

André Costa apresentou uma proposta para o uso dos afloramentos rochosos no PESET, levando em consideração a setorização já existente. E Andréia Oliveira trouxe questões  sobre a saúde feminina em ambiente de montanha, no dia Internacional da Mulher.

Seguem os links no nosso canal no YouTube, aproveitem para curtir e comentar!

A palestra sobre o PESET começa no minuto 23.

 

Relato da conquista da Via Bernardo Collares Arantes, no Monumento Natural Pedra de Inoã, Maricá – RJ

Por Michel Camacho Cipolatti

 

Há alguns anos eu carregava duas vontades que nunca havia colocado em prática: conquistar uma via e dar o nome em homenagem ao Bernardo, e; saber se alguém já tinha conquistado alguma via naquela aresta que me chamava atenção toda vez que eu passava pela estrada em Inoã.

E foi escalando a CEB 60 com a Hélida, sempre muito motivada para escalar, no dia 22 de fevereiro de 2020, que ao contar essa história eu escuto: “Bora chegar na base amanhã!”. E fomos no dia seguinte mesmo.

Depois de muita subida abrindo trilha e muitos espinhos, chegamos na base da aresta, e para nossa surpresa, não tinha nenhuma via! Começou então a conquista, sem nenhum projeto ou preparação. Começamos do zero. Compra de chapeletas… Juratan entrou para reforçar o time com a sua experiência… contato com a prefeitura, pois o local é uma Unidade de Conservação… equipamentos móveis e furadeira emprestados… parabolts do Miguel Monteza… e tudo pronto.

No sábado, dia 7 de março, conseguimos iniciar a escalada (desculpa pai, por não ter conseguido te dar um abraço no dia do seu aniversário). A idéia foi, desde o início, conquistar uma via limpa explorando ao máximo as proteções móveis, economizando nos furos e evitando a vegetação.

Mais uma vez, para a nossa surpresa, a parede se mostrou muito generosa, oferecendo boas agarras e muitas fendas. A via já começa com uma fenda, com boas proteções móveis. Lembro de ter chegado no primeiro platô, aos 10m de via, e o Juratan dizer: “Cabe uma chapeleta aí, hein!” Mas eu estava com um móvel perto do pé e “toquei para cima”. A primeira proteção fixa fica a 13m da base, e neste dia foram conquistados 30m de via, passando por um lance talvez de 5° grau, após a segunda chapeleta.

Uma semana depois voltamos para mais uma investida. Saindo do P1, encontramos uma sequência de pequenas fendas boas para colocação de móveis. Foram instaladas mais duas chapeletas até o P2. Mais uma vez, tocando para cima, mas desta vez com a Hélida fazendo a segue, que ficou orando kkk.

O traçado encontrado e indicado pela parede alterna entre sair da aresta para aproveitar as fendas existentes e voltar para a aresta para aproveitar o visual do diedro, com a vista para suas paredes negativas em toda sua extensão. E que visual! A cada investida a parede superava nossas expectativas.

Entraram para o time o Sérgio Magalhães, que foi em todas as demais investidas com sua raça, e o Bruno Moretto, que fez imagens incríveis com o drone. Na terceira investida foram conquistados mais 30m de via. Terceiro esticão todo em proteções móveis. Optamos por fazer esticões curtos, para não perdermos a comunicação entre guia e participante, e que coincidem com as duplas de rapel com uma corda de 60m.

Definido o P3 e… Perrengue!!! Ao tentar puxar a mochila com a furadeira, a mesma agarrou em um arbusto e não subia de jeito nenhum. Achei que fosse arrebentar a retinida de tanto puxar do platozinho do P3. Não soltava por nada! A solução foi descer a mochila de volta até o Magalhães, que soltou a retinida para eu poder recolher, e consegui jogar de volta em uma linha reta com a chave 14 de peso. Deu certo!

Passados mais cinco dias e estávamos nós de volta à parede para conquistar um dos lances mais bonitos da via: o lance da aresta! Logo após o P3, com ajuda do Magalhães que apontou um possível traçado passando pela aresta (enquanto eu estava buscando um caminho com muita vegetação) consegui vencer um trecho que alterna entre agarras e aresta, com a utilização de dois móveis. Porém, o lance ficou um pouco exposto demais e não é facil (eu não ia querer guiar aquele lance de novo rs) a ponto de colocamos uma chapeleta intermediária para reduzir o risco. Mais 30m de via e definido o P4.

A última investida antes de interrompermos por causa da pandemia foi a mais produtiva, com ascensão de 60m. O quinto esticão não apresenta grandes dificuldades e é protegido todo por móveis. Em seguida vem uma horizontal para a esquerda, que passa por cima do “grande negativo”. O final da horizontal também ganhou uma chapeleta na última investida para diminuir o grau de exposição. A chegada ao P6, talvez o crux da via, tem proteção fixa e boas colocações móveis.

Passados alguns meses sem voltarmos na via, decidimos terminar a conquista. O dia escolhido em que estávamos disponíveis eu e Sérgio Magalhães, e que não choveu, foi o dia 20 de dezembro de 2020. Marcamos 5 horas da manhã no início da trilha para não pegarmos muito sol, tendo em vista que a via fica voltada para o noroeste e pega sol à tarde. O objetivo era recolher as 3 cordas fixadas na parede, instalar as duas citadas chapeletas para reduzir o risco (pintadas de amarelo para diferenciar) e conquistar o trecho final, do P6 para cima, para acessar o mirante e descermos por trilha. Chama atenção a presença de blocos soltos a partir do P6. Sendo assim, quem optar pela descida por trilha deve escalar a chegada ao cume com bastante cautela, também em móvel.

A descida, conforme indicado no croqui, pode ser feita por rapel a partir do P6 com uma corda de 60m (todas as paradas são em chapeleta dupla) sendo o primeiro rapel em diagonal, ou por trilha a partir do mirante (cume). Não há proteção fixa no cume, para evitar que pessoas inexperientes montem rapel. A segurança do participante pode ser feita em arbustos ou palmeiras confiáveis.

Ao todo, a via tem cerca de 200m, foram instaladas 12 chapeletas durante a conquista (mais seis duplas), duas intermediárias para reduzir a exposição, e foram utilizadas 21 colocações de móveis.

Agradeço muito aos demais conquistadores, Magalhães, Juratan e Hélida, por me permitirem a realização deste trabalho, que acredito ser o maior feito da minha vida (depois dos meus filhos). Sem o apoio e a participação de vocês não seria possível. Não medimos esforços durante a conquista, pegamos sol, sentimos sede, muitas dores musculares, mas como disse o Juratan, a dedicação e o espírito de montanhista sempre prevaleceu. Conseguimos superar esse desafio. Ainda segundo o Jura, que conhece praticamente todas as vias da região, “é a mais bela conquista de Niterói e Maricá”. Eu não discordo. A parede é realmente impressionante pela sua formação e pelo visual.

Fico muito honrado em poder contribuir para o esporte, oferecendo mais uma opção de escalada com um requinte de adrenalina. Ainda, em conseguir homenagear meu amigo Bernardo, um grande escalador que deu sua vida para as montanhas, e que tanto contribuiu para o desenvolvimento do esporte, com suas conquistas, com a intensa participação na FEMERJ e nos Clubes, com a sua contagiante paixão pelas montanhas que certamente influenciou e ainda influencia muitos escaladores. Esta homenagem ainda é pouco para a grandeza do Bernardo e para o que ele representa para o montanhismo.

Fico com o sentimento de missão cumprida. Valeu cada momento de dificuldade e superação, cada esforço e dor sentida, cada minuto de desânimo, cada gota de suor deixada na montanha, pois “As Montanhas são uma espécie de Reino Mágico, onde por meio de algum encantamento, eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo”. Bernardo Collares Arantes. Obrigado meu amigo!

Para acessar o croqui da via clique aqui

 

Dissertação sobre Impactos da Escalada em Vegetação de Afloramentos Rochosos (mais conhecidos como pedras, rochas, boulders ou, genericamente, como locais aonde nos divertimos!!)

Por Stephanie Maia

Em abril de 2015 defendi minha dissertação de mestrado sobre o tema que me apresentou ao montanhismo e foi a razão pela qual  comecei a escalar: o uso das rochas por escaladores e quais são os impactos das escalada na vegetação dos afloramentos rochosos. Depois de um estudo introdutório sobre o montanhismo carioca, seu histórico e instituições, percebi que, primeiro, era importante distinguir todas as nuances do que significava ser montanhista, conhecer bem o meu ‘objeto’ de estudo e, segundo, que para isso eu precisava vivenciar a experiência da montanha. Percebi que jamais seria levada a sério pela comunidade montanhista se falasse apenas de fora, se não compreendesse o que motiva uma pessoa a sair arriscando a própria vida por aí, ou no mínimo passando uns perrengues, quando poderia estar realizando atividades mais seguras e confortáveis. Enfim, acho que aqui todo mundo sabe do que estou falando, não é mesmo?!

Além dos impactos negativos que nossa atividade causa à vegetação de afloramentos rochosos, também discuti em meu estudo a importância que nós temos na proteção da natureza quando seguimos as diretrizes de mínimo impacto, respeitamos e trabalhamos junto com as instituições públicas responsáveis pela gestão das áreas protegidas e quando compartilhamos nosso conhecimento com aqueles que chegam, por vezes, tão afobados pela aventura que lhes escapam apenas o contemplar e respeitar o tempo da natureza.

Por fim, cinco anos depois de concluir o trabalho árduo de escrever uma dissertação e vencer os traumas desse período (pós-graduandos entenderão), venho agora compartilhar com vocês um pouco do que aprendi.

Recomendo a leitura aos interessados em história, botânica, unidades de conservação, escalada e montanhismo.

Boa leitura!

https://drive.google.com/file/d/1apOorXRKe5qGfy3vPcpMHiNJ63LWKHrm/view?usp=sharing

Para quem perdeu…

Olá pessoal!

Já está disponível no nosso canal no YouTube o vídeo com a palestra ministrada pelo biólogo e professor Jorge Antonio Lourenço Pontes, no dia 14 de dezembro de 2020, sobre poluição luminosa e seus impactos ao meio ambiente.

Vocês também podem clicar no link abaixo para acessar o PDF da apresentação, gentilmente cedida pelo Professor Jorge.

https://drive.google.com/file/d/15sARBsZHLAyFTQ18hckLpJhd3C9jLbck/view?usp=sharing