A temperatura que está nem sempre é a que sentimos!

A temperatura que está nem sempre é a que sentimos!

A sensação de temperatura que o corpo humano sente é frequentemente afetada por vários fatores. O corpo humano é uma máquina térmica que constantemente libera energia e, qualquer fator que interfira na taxa de perda de calor do corpo, afeta sua sensação de temperatura. Além da temperatura do ar, outros fatores significativos que controlam o conforto térmico do corpo humano são: umidade relativa, vento e radiação solar.

O índice de temperatura-umidade (ITU) é um avaliador do conforto humano para o verão. Baseado em condições de temperatura e umidade, ele é calculado pela equação abaixo:

ITU = (0,8 x T) + (UR ( T – 14,3 ) / 100) + 46,3

Onde, T = Temperatura em ºC, UR = umidade relativa do ar e ITU = Índice de Temperatura e Umidade.

indice de temperatura umidadeA evaporação do suor é uma maneira natural de regular a temperatura do corpo, pois o processo de evaporação é um processo de resfriamento. Quando o ar está muito úmido, contudo, a perda de calor por evaporação é reduzida, pois o ar já está saturado com umidade. Por isso, um dia quente e úmido parecerá mais quente e desconfortável que um dia quente e seco. Na tabela ao lado são mostrados os ITU’s calculados com temperaturas em graus Fahrenheit e Celsius.

À medida que sua temperatura corporal aumenta, a temperatura da pele também aumenta, então começa a transpiração. Em condições normais, o suor evaporaria, resfriando seu corpo. Em ambientes úmidos, o suor não consegue evaporar devido à saturação do ar, que já está denso com vapor d’água. O suor acumula sobre a pele, esquentando-a ainda mais e, consequentemente, seu corpo. Seu corpo tenta compensar tudo isso gerando ainda mais suor, que também não pode ser evaporado. O ciclo continua até a desidratação e o colapso do organismo, que não consegue mais desempenhar os movimentos esportivos. Essa é a forma que o organismo encontra para reduzir sua temperatura.

Para dias assim devemos manter-nos sempre hidratados, bebendo água em períodos regulares e mesmo sem sede. Evitar exercícios extenuantes e se possível, trocar aquela longa via ou caminhada, por uns boulders a beira mar ou perto de rios, ou até mesmo aquele passeio em uma cachoeira. Assim, poderemos sempre nos refrescar quando o calor apertar.

No inverno, o desconforto humano com o frio é aumentado pelo vento, que afeta a sensação de temperatura. O vento não apenas aumenta o resfriamento por evaporação, devido ao aumento da taxa de evaporação, mas também aumenta a taxa de perda de calor sensível (efeito combinado de condução e convecção) devido à constante troca do ar aquecido junto ao corpo por ar frio. Por exemplo, quando a temperatura é -8ºC e a velocidade do vento é 30Km/h, a sensação de temperatura seria aproximadamente de -25ºC. A temperatura equivalente “windchill” ou índice “windchill” ilustra os efeitos do vento.

temperatura equivalenteAnalisando a tabela nota-se que o efeito de resfriamento do vento aumenta quando a sua velocidade aumenta e a temperatura diminui. Portanto, o índice “windchill” é mais importante no inverno. No exemplo acima não se deve imaginar que a temperatura da pele realmente desça a -25ºC. Através da transferência de calor sensível, a temperatura da pele não poderia descer abaixo de -8ºC, que é a temperatura do ar nesse exemplo. O que se pode concluir é que as partes expostas do corpo perdem calor a uma taxa equivalente a condições induzidas por ventos calmos com a temperatura -25ºC. Deve-se lembrar que, além do vento, outros fatores podem influenciar no conforto humano no inverno, como umidade e aquecimento ou resfriamento radiativo.

Um anorak simples, do tipo corta vento, pode ser o suficiente para te deixar confortável, ou pelo menos minimizar o risco de hipotermia. Já passei por uma experiência na Travessia dos Olhos, na Pedra da Gávea, onde o vento forte estava me levando ao limite do frio, mas como levo sempre um anorak na mochila…

Este artigo foi publicado no Boletim CNM Setembro/2014.

 

 

Fontes:
http://www.cnpgl.embrapa.br/
http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/confortoTermicoHumano
http://www.mundotri.com.br/2013/10/como-sobreviver-ao-calor-umido-parte-1/
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo/cap3/cap3-4.html

MEPA – Origem e finalidade

Autor: André Ilha

Publicado no Boletim CNM 2016-2

No Brasil, como no restante do mundo, a escalada originalmente tinha como objetivo único chegar ao topo da montanha, ou então da parede quando esta não estivesse claramente associada a um cume. Os meios para se atingir este objetivo eram, de uma maneira geral, considerados pouco importantes – o que contava era o resultado.

O uso de artifícios como pitons e grampos para auxílio direto na progressão do escalador era visto com naturalidade, e nas grandes montanhas dos maiores maciços do planeta, o emprego de uma logística pesada, de inspiração militar, envolvendo carregadores, acampamentos intermediários estocados com comida e equipamento para pernoite e milhares de metros de cordas fixas era a norma.

Havia exceções, contudo, especialmente nos países anglo-saxões, como Inglaterra e Estados Unidos. Nestes, assim como em certas partes da Alemanha, desde muito cedo se cultivou o interesse pela escalada livre, ou seja, aquela na qual o escalador progride valendo-se apenas dos meios naturais que a rocha oferece como agarras e fendas, e graus notavelmente elevados foram atingidos muito cedo, desde o início do século XX.

O Brasil, no entanto, seguia uma tendência, digamos, europeia continental, que se refletia até no sistema de classificação de escaladas por nós adotado, que é claramente calcado no sistema alpino tradicional. Assim como na França e na Itália, o termo “escalada artificial” era destinado apenas para longas sequências de pitons ou grampos a serem vencidas com o auxílio de estribos, cordas duplas etc.. O uso de pontos de apoio artificiais isolados não conflitava com o conceito de “escalada livre”, e era encarado com muita naturalidade.

Quando eu comecei a escalar, em 1974, a parte realmente “livre” das escaladas brasileiras era a distância percorrida entre o grampo em que se estivesse pisando até o grampo que seria agarrado acima. “O grampo é a melhor agarra!”, cansei de ouvir, e esforços para evitá-los como tal eram vistos como uma excentricidade pitoresca, quando não ostensivamente desencorajados. Não surpreendentemente, a classificação brasileira terminava no VI grau, como a dos países alpinos europeus, e por aqui apenas um lance no Paredão Lagartão, no Pão de Açúcar, era unanimemente considerado como pertencente a este grau. Os mais conservadores, inspirados por seus semelhantes europeus, bradavam ser impossível ir além, repetindo um embate que levou o célebre alpinista tirolês Reinhold Messner a dar o título de Septimo Grado (O Sétimo Grau) para o livro em que defendeu a ruptura com a antiga ordem, e a expansão sem limites dos limites acanhados impostos ao desenvolvimento técnico na escalada pelos antigos tradicionalistas e sua engessada tabela de classificação.

No início, eu fazia como me ensinavam, claro, mas logo comecei a me sentir incomodado. Aquilo não me parecia certo. Ajudado por uma boa fluência no inglês, passei a ler compulsivamente revistas de escalada estrangeiras, e aí me dei conta de que a minha inquietação não era uma patologia isolada, mas, sim, uma forma de encarar a escalada que estava ganhando força de forma avassaladora em todo o mundo, Cada vez mais se valorizava, sempre que possível, a ascensão de escaladas em rocha apenas pela rocha, reservando os equipamentos de segurança exclusivamente para deter as quedas dos escaladores, em especial as de guia.

Naquele momento, em todos os países, inclusive naqueles com uma visão mais tradicional do esporte, jovens escaladores estavam se lançando em lances livres cada vez mais difíceis, fosse em novas vias, fosse repetindo vias abertas no velho estilo, agora porém sem usar os seus pontos (fixos ou móveis) de segurança como apoio artificial para avançar. Houve, na verdade, uma autêntica corrida para se fazer a “primeira ascensão em livre” (first free ascent) das antigas escaladas com artifícios, que passaram a merecer, muitas vezes, graus assombrosamente mais elevados do que os originais. Na Inglaterra foi-se além: antigas escaladas artificiais, quando feitas inteiramente em livre, ganharam não apenas um novo grau, mas também um novo nome! É como se uma escalada inteiramente nova tivesse surgido no mesmo espaço físico onde antes, incidentalmente, havia outra à moda antiga.

Ciente disso, propus, no início dos anos 80, que fizéssemos o mesmo por aqui: que tentássemos não apenas abrir novas vias no estilo “livre de verdade”, mas que, também, “liberássemos” as antigas vias com artificiais contínuos ou pontos de apoio artificiais isolados, como se fazia no resto do mundo.

Isto precisava ser registrado de alguma forma, não apenas para fazer justiça a estes avanços, mas, também, para servir como inspiração para realizações ainda mais significativas. Calhou que nessa época eu estivesse trabalhando, em parceria com minha ex-esposa, Lúcia Duarte, na primeira publicação brasileira voltada para o registro sistemático de vias de escalada: o “Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro”, que veio a ser editado em 1984 pela hoje extinta Cia. de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Flumitur).

Então nos ocorreu que no nosso trabalho poderíamos não apenas apontar quando uma escalada conquistada com diversos pontos de apoio artificiais tivesse sido guiada completamente em livre, como nos modernos guias estrangeiros. Em vez disso, caso uma via tivesse tido apenas alguns de seus pontos de apoio “eliminados”, mas outros ainda resistissem, esperando que escaladores melhor preparados técnica e fisicamente conseguissem evitá-los, isso deveria estar de alguma forma consignado. Assim, ficaria claro para todos o que ainda restava por fazer e lançaria toda aquela imensa energia disponível na nova geração em busca deste objetivo.

Desta forma, em vez de nos valermos da opção binária de escalada livre x escalada não livre (não importando se houvesse um ou dez pontos de apoio a serem eliminados), criamos o conceito de “máxima eliminação de pontos de apoio” (MEPA) para registrar estes progressos, registrando entre parênteses quantos pontos de apoio artificiais ainda não haviam sido evitados numa via qualquer. Quando a via já tivesse sido guiada inteiramente em livre, o número entre parênteses seria zero. Ou seja, teríamos uma ferramenta para acompanhar sistematicamente o progresso da escalada carioca e brasileira, em que os graus, com o tempo, ficariam cada mais altos e os números entre parênteses cada vez mais baixos, até eventualmente chegarem a zero.

Como na Europa, esta mudança conceitual não se deu sem resistência, e a reação foi especialmente feroz a partir de um grupo então encastelado no Centro Excursionista Rio de Janeiro (CERJ), para quem nós éramos todos meros “acrobatas”, escaladores elitistas e exibicionistas que perversamente não aderíamos à visão “certa” (a deles) do esporte. A tensão teve o seu ápice no I Encontro Brasileiro de Montanhismo, ocorrido em setembro de 1983 no auditório do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis. Ali, entre aplausos e vaias dos partidários de cada filosofia, eu li um texto defendendo o admirável mundo novo da escalada brasileira e os avanços que já estavam em curso, texto este que depois veio a ser editado com o título de “Manifesto da Escalada Natural”. Em sua versão impressa, ele foi acompanhado por um texto complementar intitulado “Pontos de Apoio”, em que eu explicava didaticamente o que deveria ser entendido como “escalada livre” na visão moderna do esporte. Mas a expressão MEPA só foi cunhada mesmo no ano seguinte, como dito acima.

Embora criado para registrar e, mais do que isso, inspirar um momento específico da escalada brasileira, o conceito de MEPA, a rigor, mantém-se válido até hoje, pois é extremamente comum que vias ainda sejam conquistadas com um ou mais apoios artificiais que só mais tarde serão eliminados, seja pelos próprios conquistadores, seja por outros escaladores.

Deixado para Morrer, de Beck Weathers

Deixado para Morrer, de Beck Weathers

Deixado para Morrer, de Beck Weathers.

Por Leandro do Carmo

livro_033Para quem já leu os livros “No Ar Rarefeito” e “A Escalada”, chegou a conclusão que foi um milagre que salvou Beck Weathers. Dado como morto na aterrorizante temporada de 96, do Everest, onde 8 pessoas morreram. O livro conta o que o autor sentiu durante o tempo em que permaneceu acima da Zona da Morte e como isso mudou sua vida, principalmente no seu relacionamento com sua família.

 

“Sugestão de Leitura” publicada no Boletim CNM 2016-2.

Por Um Triz: Aventuras Absurdas e Engraçadas nas Trilhas e Montanhas do Brasil, de André Ilha

Por Um Triz: Aventuras Absurdas e Engraçadas nas Trilhas e Montanhas do Brasil, de André Ilha

Por Um Triz: Aventuras Absurdas e Engraçadas nas Trilhas e Montanhas do Brasil, de André Ilha.

Por Leandro do Carmo

livro_031São grandes histórias que mostram que por trás de uma grande aventura, pode acontecer muita coisa… umas até assustadoras e engraçadas… Mas isso depois de sabermos que tudo deu certo! Uma leitura que prende e por vezes nos leva a esticar o braço para ajudar… Só bons livros fazem isso!

 

“Sugestão de Leitura” publicada no Boletim CNM 2016-2.

Na Estrada do Everest – Trekking no Himalaia, de Airton Ortiz

Na Estrada do Everest – Trekking no Himalaia, de Airton Ortiz

Na Estrada do Everest – Trekking no Himalaia, de Airton Ortiz.

Por Leandro do Carmo

livro_032O autor refaz, passo a passo, os 150 quilômetros de trilhas selvagens que levam até o acampamento-base, no sopé da montanha. Para isso, foram necessários dezessete dias, passados com muito frio, cansaço e perigos. Mas com recompensas à altura: o extraordinário contato com a cultura, a religiosidade e as lendas dos povos da mais alta cordilheira do mundo. Paralelamente à sua jornada, o autor resgata a história da conquista da montanha.

 

“Sugestão de Leitura” publicada no Boletim CNM 2016-2.

Lançamento do Guia de Trilhas do Parque Estadual da Serra da Tiririca – PESET

Lançamento do Guia de Trilhas do Parque Estadual da Serra da Tiririca – PESET

No dia 14 de junho de 2016, às 14:30hs no salão principal do ITACOATIARA PAMPO CLUBE, localizado na Avenida Beira mar n° 205, Itacoatiara, Niterói – RJ foi realizada a solenidade de lançamento do Guia de Trilhas do PESET.

Houve um coquetel e também a distribuição gratuita de exemplares para quem foi ao evento.

Parabenizamos o PESET por mais essa conquista para o Parque e para os montanhistas.

Guia de Trilhas do PESET

Guia de Trilhas do PESET

Escale Melhor e Com Mais Segurança, de Flávio Daflon e Cínthia Daflon

Escale Melhor e Com Mais Segurança, de Flávio Daflon e Cínthia Daflon

Escale Melhor e Com Mais Segurança, de Flávio Daflon e Cínthia Daflon.

Por Eny Hertz

livro_029A indicação deste livro é para complemento/reforço dos ensinamentos passados nas aulas do CBE. Em função da dinâmica das aulas algumas coisas ficam para depois e o livro mostra bem os procedimentos de técnica, segurança, finalidade e utilização dos equipamentos, etc.

 

“Sugestão de Leitura” publicada no Boletim CNM 2016-1.

Brasília – Paraty. Somando Pernas para Dividir Impressões, de Weimar Pettengill

Brasília – Paraty. Somando Pernas para Dividir Impressões, de Weimar Pettengill

Brasília – Paraty. Somando Pernas para Dividir Impressões, de Weimar Pettengill.

Por Lourdes Moreira

livro_030Um relato que mostra que deficiência nada é quando comparada com a determinação e companheirismo. Desafio, superação, dor, sofrimento, privações que Adauto Belli, cego, encontrou ao pedalar 1.700km entre Brasília e Paraty numa bicicleta tandem com Weimar Pettengill.

 

“Sugestão de Leitura” publicada no Boletim CNM 2016-1.

Super-Humanos, Como os Atletas Radicais Redefinem os Limites do Possível, de Steven Kotler

Super-Humanos, Como os Atletas Radicais Redefinem os Limites do Possível, de Steven Kotler

Super-Humanos, Como os Atletas Radicais Redefinem os Limites do Possível, de Steven Kotler.

Por Vinícius Araújo

livro_028Leitura interessante sobre como podemos utilizar a mente para potencializar a performance nas atividades de esportes outdoor e como isso pode impactar também na vida cotidiana. O autor apresenta um conceito de “fluxo”, no qual podemos definir como um estado mental que permite que pessoas comuns consigam redefinir os limites do possível. Afirma-se que não há uma diferença essencial entre um superatleta e uma pessoa comum, no entanto, o primeiro habituou-se a cultivar um estado de consciência capaz de ajudá-lo a acessar seu máximo potencial e fazê-lo aprender mais em menos tempo (que é o estado de “fluxo”). O autor se baseia no exemplo de diversos atletas de esportes de ação e aventura para comprovar a sua tese, incluindo algumas lendas do esporte, como o escalador Dean Potter. Ao construir uma ponte entre o extremo e o convencional, ele explica como esses atletas utilizam o estado de fluxo para realizar o inimaginável e como podemos aproveitar essas informações para acelerar radicalmente nosso próprio desempenho em qualquer área de atuação.

 

“Sugestão de Leitura” publicada no Boletim CNM 2015-4.