Treinamento de condução de Juliette

Olá, pessoal!

É com grande alegria que abrimos as duas primeiras turmas de treinamento para condução da cadeira Julietti. O curso é inteiramente gratuito e faz parte do nosso contrato com a NELTUR, da Prefeitura de Niterói, dentro do projeto Ecotur Sem Barreiras.

? As turmas serão em dezembro com as seguintes datas:

TURMA 01
Aulas teóricas
Dias 01 (quarta-feira) e 03 de dezembro (sexta-feira) – Horário: das 19h às 22h30
Aula prática
Dia 04 de dezembro (sábado) – Horário: das 08h às 12h30

TURMA 02
Aulas teóricas
Dias 08 (quarta-feira) e 10 de dezembro (sexta-feira) – Horário: das 19h às 22h30
Aula prática
Dia 12 de dezembro (domingo) – Horário: das 08h às 12h30

As aulas teóricas irão acontecer na sede do clube no seguinte endereço: Rua Martins Torres, 18, Santa Rosa.

As aulas práticas irão acontecer no Parque da Cidade, Niterói.

As vagas são limitadas e as inscrições já podem ser feitas através do seguinte formulário: https://forms.gle/ksHjyJzdrL3ytNYD9

PROGRAMAÇÃO

1º dia:

19h às 19h40 

  • Apresentação do CNM
  • Apresentação do Projeto Montanha para Todos 

19h40h – 20h30 

  • Trilhas acessíveis: “Como avaliar a acessibilidade de uma trilha?”

20h30 – 21h – Coffee break.

21h00 – 22h30 

  • Acessibilidade e tipos de deficiência
  • Ficha de elegibilidade

2º dia

19h – 20h30

  • Conhecimentos básicos de caminhada em trilha

20h30 – 21h – Coffee break

21h00 – 22h30 

  • A cadeira Julietti e sua condução 

3º dia

08h – 12h30 

  • Montagem da cadeira Julietti
  • Noções de manutenção
  • Prática de condução 

Qualquer dúvida, entrar em contato pelo e-mail cnm@niteroiense.org.br.

20/11/2021 – Atualização da Vaquinha para reforma da Guarischi

Atualizando as informações sobre a vaquinha!!!!!

Finalizamos a campanha. Foi um sucesso! Arrecadamos R$ 4.103,12, o que nos proporcionou a compra de algumas proteções extras!!!! Além da Paredão Zezão, poderemos reformar mais algumas vias. Adquirimos 45 grampos de titânio no site http://www.titanclimbing.com. Abaixo um resumo das compras:

Grampos de titânio (45) 3.753,59
Imposto e taxas de envio (Chronopost) 79,42
Walsywa (5 colas, brocas e bico misturador) 636,53
Total 4.469,54
Total Arrecadado 4.103,12

20211118_Nota Fiscal Eletrônica_Walsyvia

Abaixo, a lista atualizada das doações:

Assim que tivermos mais informações, divulgaremos por aqui.

Dúvidas, entre em contato pelo WhatsApp 21 99465-7533 (Leandro do Carmo)

Att,

Leandro do Carmo
Diretor Técnico CNM

Vaquinha para reforma da Paredão Zezão – Agulha Guarischi

Nesses últimos dias, os escaladores se mobilizaram e realizaram uma vaquinha para compra de grampos de titânio e todo o material necessário para reforma da via Paredão Zezão, uma clássica da cidade! Nossa meta era arrecadar R$ 3.600,00 para compra de 40 grampos de titânio (30 para a via e mais 10 para extras), além da cola e outros materiais necessários para instalação.

Em apenas 4 dias, alcançamos o valor de R$ 3.930,00. Um sucesso que mostra a união de nós escaladores.

Já estamos providenciando a compra das proteções e sempre daremos notícias quando tivermos alguma atualização.

Dúvidas, entre em contato pelo WhatsApp 21 99465-7533 (Leandro do Carmo)

Att,

Leandro do Carmo
Diretor Técnico CNM

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLEIA GERAL
EXTRAORDINÁRIA A SER REALIZADA EM 13 DE OUTUBRO DE 2021

Ficam convocados os associados do CLUBE NITEROIENSE DE
MONTANHISMO a comparecerem à Assembleia Geral Extrardinária, nos
termos Artigo 7º, Capítulo 1 do Estatuto desta instituição, em primeira
convocação, no dia 13 de outubro de 2021, às 20h, no endereço Rua
Martins Torres, 18, Santa Rosa, Niterói, com o objetivo de deliberar sobre
a reforma do estatuto social do clube.

Atenciosamente,
Stephanie M. S. Maia
Presidente

O DIA MUNDIAL DA LIMPEZA

No dia 18 de setembro de 2021 o CNM participou do Dia Mundial da Limpeza. Este dia, marca a união vários países e milhões de pessoas em todo o mundo em torno de um objetivo comum: promover a consciência da necessidade de preservação do nosso planeta, através de ações de limpeza, em rios, trilhas, mangues e praias.

Essa ação mundial cresce desde 1986, e no Brasil ocorre desde 1993. A proposta inicial realizar a limpeza das praias, entretanto percebeu-se que outros locais também necessitavam dessas intervenções, como mangues, margens de rios e trilhas.

A ações realizadas no Dia Mundial da Limpeza simbolizam uma rede forte e única de agentes que compartilham a visão de um mundo livre de resíduos, baseada na prática do 5 R’s da sustentabilidade: Repense, Recuse, Reduza, Reutilize e Recicle, que visa minimizar o impacto ambiental causado pelo desperdício de materiais.

Diante disso, nós montanhistas do CNM, comprometidos essas práticas sustentáveis, de cuidado com a natureza e sendo parte dessa rede de agentes, fomos contribuir nessa ação.

Como o dia mundial da limpeza já faz parte da agenda municipal, a prefeitura de Niterói promoveu e apoiou, oferecendo sacos de lixo e água potável aos voluntários, várias ações por toda a cidade.

O CNM escolheu trabalhar no Trecho final da trilha Travessia São Francisco x Cafubá.

O evento organizado pela diretoria de meio ambiente do CNM, Alice Selles e Eny Hertz, pela diretoria do uso público do PARNIT, Alex Figueiredo, contou com participação de 10 sócios. Também estiveram presentes uma funcionária da Prefeitura, Leila, e voluntários do PARNIT.

Todo o material residual coletado numa manhã de trabalho foi contabilizado e classificado. Ao todo foram coletados 10 sacos de 100L e 3 sacos de 300L de materiais de vários tipos, tais como: vasilhames e sacos de plástico, trapos de roupa, chinelos de borracha, capacete de motocicleta, bujãozinho liquinho entre outros materiais. A maior parte dos resíduos parecia ser antigo do local.

Essa ação foi muito importante, pois impediu que esse material fosse levado por uma chuva forte para o Sistema Lagunar de Itaipu, reduzindo assim o risco de entupimento da rede pluvial do Bairro Cafubá.

Parabéns a todos que participaram dessa ação ambiental. A natureza agradece!

 

Campanha SEMEAR

A degradação ambiental na qual vivemos é progressiva, requerendo, portanto, ações imediatas visando minimizá-la. Contudo, é fato que a recuperação ambiental pode ocorrer a partir de pequenas ações de pessoas sensíveis a essa necessidade.

Sem dúvida, nossas cidades possuem vários locais onde a natureza é mais bem preservada; são os parques, jardins, canteiros e outros. Um olhar atento para esses locais e a coleta de certas sementes ajudarão na recuperação e na preservação ambiental.

Por isso, a campanha denominada Semear, apesar de singela, tem um objetivo altruísta: coletar sementes de árvores nativas nos municípios de Niterói e Maricá. As sementes coletadas deverão ser entregues no Clube Niteroiense de Montanhismo (CNM) ou para o diretor de Uso Público do Parque Natural Municipal de Niterói (ParNit) – Alex Figueiredo. O Parque providenciará a semeadura e a subsequente introdução desses jovens indivíduos ao ambiente natural, mais propício ao seu desenvolvimento.

Sugerimos que as coletas das sementes sejam feitas de árvores de rua e quintais, uma vez que é proibido fazer qualquer tipo de coleta de material biológico em Unidades de Conservação sem autorização prévia.

Serão indicadas novas espécies e contamos com a sua colaboração para fazer esse projeto florescer. Em função da época de floração, inicialmente deverão ser coletadas sementes de quatro espécies de árvores:

Pau-rei,
Paineira-rosa,
Pau-ferro
Embiruçu

 

No vídeo abaixo, Alex Figueiredo fala sobre a importância dessa campanha para a recuperação ambiental na cidade de Niteroi.

As flores de amanhã nascem das sementes de hoje.

Curso Básico de Escalada 2021 – Vagas limitadas

Curso Básico de Escalada

CURSO ABERTO!!!!!!!!!!

O Curso

O CNM oferece o Curso Básico de Escalada (CBE), que consiste na capacitação do aluno em ser um participante de escalada, ensinando as técnicas básicas necessárias para que o praticante possa escalar com segurança, conhecimento e ética.
Curso Homologado Femerj
As aulas irão abranger os seguintes tópicos: Ética na montanha; Primeiros socorros; Animais peçonhentos; Apresentação de material técnico; Nós; Segurança; Top Rope; Técnicas de Ascensão; Rapel; Escalada livre; Escalada em artificial; Escalada em chaminé entre outros.

O nosso CBE cumpre com os requisitos necessários exigidos pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro – FEMERJ e o certificado do curso é homologado pela Entidade.

Programação

O CBE consiste em 15 aulas, das quais 9 são práticas e ocorrem aos finais de semana, enquanto que 6 são teóricas e acontecem durante a semana na sede do clube ou on line, no horário da noite (19:20 às 21:20).

Cada turma terá um calendário pré-estabelecido, mas suas datas podem ser alteradas em função da previsão do tempo, de algum contratempo não previsto ou se previamente combinado com todos os participantes. O tema da aula poderá ser alterado devido a disponibilidade dos guias.

Na maioria das vezes as aulas ocorrem em Niterói, porém, algumas delas podem ocorrer no Rio de Janeiro ou na região serrana fluminense.

As aulas terão início no dia 21/09/2021 com previsão de término em 21/11/21 conforme calendário exposto abaixo.

O aluno deverá ter disposição de data para todas as aulas do calendário. Informações a respeito de faltas e custos de aulas de reposição encontram-se na ficha de inscrição disponível no título “Inscrições” desta página.

Custo

O curso tem as seguintes opções de custo: 1 – R$ 1100,00 com o empréstimo de material; 2 – R$990,00 sem o empréstimo do material; 3 – R$ 900,00 com empréstimo de material para quem já é associado do clube.  Estes valores são para o pagamento a vista ou podem ser parcelados de acordo com o PagSeguros (com juros).

A confirmação da reserva da sua vaga será feita mediante o pagamento do curso no site. Mas se por um acaso, você tenha feito o pagamento da reserva e o curso não possa ocorrer, devolveremos imediatamente e integralmente o que foi pago.

Vagas

A turma terá um mínimo de 6 e máximo de 10 alunos.

Pacote

Ao se inscrever no curso, além das aulas, o aluno terá direito a:

1 – Uma semestralidade de associado do CNM;

2 – Uma unidade do livro Escale Melhor e com Mais Segurança;

3 – Empréstimo de kit básico para as aulas de escalada (Capacete, cadeirinha, mosquetões, cordeletes, fitas e freio atc), EXCETO sapatilha. Este item 3 se aplica àqueles que optarem pelo valor do curso com o empréstimo de material conforme descrito acima no título “Custo”.

OBS: O(A) aluno(a) deverá adquirir a sapatilha antes do início das aulas práticas de escalada. Recomenda-se que antes do início do curso o(a) aluno(a) compareça a alguma reunião social do clube a fim de ser orientado(a) a respeito da sapatilha.

Ao final do curso, o aluno, caso esteja apto, recebe um certificado de conclusão do CBE.

Pré-requisitos

Qualquer pessoa que tenha condições físicas para a prática de esportes está habilitada para fazer o curso e não é preciso ser membro do clube para participar.

A idade mínima para participar do curso é de 18 anos.

Instrutores

Os instrutores do CBE são formados pelo corpo de guia de escalada do CNM, de forma voluntária, que possuem formação e experiência suficientes para promover a atividade com a qualidade e segurança exigidas.

Próxima Turma

Segue abaixo o cronograma da próxima turma que terá início no mês de setembro de 2021:

21/09/21 (ter)  –  Aula 01 (teórica) – Montanhismo, Mínimo Impacto e Ética

23/09/21 (quin) – Aula 02 (teórica) – Materiais de Escalada

25/09/21 (sab) – Aula 03 (prática) – Top Rope, Treinamento de Quedas e Nós

26/09/21 (dom) – Aula 04 (prática) – Rapel / Nós

28/09/21 (ter) – Aula 05 (prática) – Nós e Revisão de Procedimentos

30/09/21 (quin) – Aula 06 (teórica) – Prevenção de Acidentes

02/10/21 (sab) – Aula 07 (prática) – Nós, Ascensão e Top Rope

03/10/21 (dom) – Aula 08 (prática) -Chaminé, artificial e Nós

05/10/21 (ter) – Aula 9  (teórica) – Animais Peçonhentos

07/10/21 (quin) – Aula 10 (Teórica) – 1ª Avaliação de Nós

16/10/21 (sab) – Aula 11.1 (Prática) – Escalada 1

17/10/21 (dom) – Aula 11.2 (Prática) – Escalada 1

23/10/21 (sab) – Aula 12.1 (Prática) – Escalada 2

24/10/21 (dom) – Aula 12.2  (Prática) – Escalada 2

30/10/21 (sab) – Aula 13.1 (Prática) – Escalada 3

31/10/21 (dom) – Aula 13.2  (Prática) – Escalada 3

02/11/21 (quin) – Aula 14 (teórica) – Prova Teórica Escrita

06/11/21 (sab) – Aula 15.1 (Prática) – Prova Prática (Procedimentos e Nós)

07/11/21 (dom) – Aula 15.2  (Prática) – Prova Prática (Procedimentos e Nós)

13/11/21 (sab) – Eventual Reagendamento de aula por fatores climáticos

14/11/21 (dom) – Eventual Reagendamento de aula por fatores climáticos

20/11/21 (sab) – Eventual Reagendamento de aula por fatores climáticos

21/11/21 (dom) – Eventual Reagendamento de aula por fatores climáticos

 

OBS: O aluno deverá se organizar de forma a estar disponível para fazer as aulas em todas as datas acima.

OBS2: Nas aulas práticas em vias de escalada (Escalada 1, 2 e 3), os alunos farão as aulas ou no sábado ou no domingo, de acordo com critérios estabelecidos pelo corpo de guias.

Inscrições:

Para realizar sua inscrição o aluno deverá realizar a compra do curso na loja do CNM e após a confirmação do pagamento deverá preencher a ficha de inscrição e o termo de conhecimento de riscos da atividade. A ficha de inscrição, o termo de conhecimento de riscos e um atestado médico lhe liberando para a prática de atividades físicas deverão ser entregues na sede do clube até o início das aulas.

OBS: Antes de realizar a compra leia atentamente a ficha de inscrição, que contém disposições gerais a respeito do curso, política de cancelamento etc.

1) Link do curso na loja do CNM : https://www.niteroiense.org.br/produto/curso-basico-de-escalada/

2) Ficha de Inscrição: Ficha Inscricao CBE

3) Termo de conhecimento de riscos: Termo de Responsabilidade de Risco CNM

Relato de conquista da via “Gaia Vive”

Relato de conquista da via “Gaia Vive”

A primeira conquista na montanha a gente nunca esquece!

Por Gabriel O. de Carvalho

Era um sonho antigo meu praticar escalada em São Gonçalo, porém a falta de locais de escalada estabelecidos e o problema da violência urbana, que infelizmente ocorre em grande parte da cidade, sempre me impediram. Contudo, um tempo atrás ouvi falar de um lugar chamado Alto do Gaia, as descrições faladas do local já me chamaram a atenção, ouvi que tinha um paredão lá, que o entorno era rural e que era um local conhecido por praticantes de trekking e motocross, além de ter sido recentemente transformado em Área de Proteção Ambiental (APA).

Esse interesse ficou latente por meses (eu nem nem tinha visto fotos do lugar ainda!), até que resolvi pesquisar sobre o lugar e quando vi as fotos, pirei. Comentei com o Matias (Vinicius Coutinho) e também com o Zé Gabriel, que me alertou já estar de olho nessa montanha há um tempo e que inclusive já existia uma via conquistada lá: Realidade da Laranja (Paredão São Gonçalo) 3º-V. Via esta conquistada por P.C. Caliano, Rodolpho Pajuaba e Juratan Câmara, em 1985. Possivelmente a primeira e, até então, única via de escalada em montanha de São Gonçalo?

No dia 16 de maio de 2021, um domingo, após convencer o Zé Gabriel, partimos para a conquista do Gaia. A aventura já começou no trajeto de carro para chegar lá, dos três caminhos que o Google Maps nos recomendou escolhemos o que julgamos ser o mais seguro: entrando por Maricá. O único problema era a condição da estrada, toda de terra e mais parecia uma trilha de motocross, de fato, na quase 1h de trajeto os únicos doidos de carro por lá éramos nós, acompanhados pelos motoqueiros que desviavam com facilidade dos buracos e piscinas gigantes na estradinha. Após muito sufoco, chegamos em Gaia, mas pelo lado oposto, queríamos acessar a face oeste-sudoeste. Felizmente encontramos um morador que conhecia muito bem o local e nos deu o caminho da pedra, nos poupando muito tempo.

Foto 01: visão do paredão a partir da trilha de acesso à nova via.

Quando chegamos lá, mesmo tendo visto as fotos e relatos, nem acreditei que o município nos guardava esta pérola. Um local de características rurais e um visual incrível. A montanha era linda, e ao avistá-la ambos concordamos em ir na direção do vale, face sudoeste, para explorar em busca de uma via um pouco mais vertical. O caminho foi bem fácil, sendo curto e com visão da montanha quase o tempo todo, por isso chegamos na montanha sem muito esforço. Importante frisar que a trilha passa por uma propriedade privada, porém o dono foi bem receptivo, não viu problema com a nossa presença e inclusive nos deu dicas para chegar lá.

Logo no início da trilha, o Zé ficou louco por uma fenda. Confesso que eu não tinha dado muita bola a ela porque uns 30 m acima dava pra ver que ela entrava numa vegetação arbustiva; fiquei com medo da linha não ter continuidade. Após uma explorada fui convencido a entrarmos nela. Como o Zé estava mais animado concordamos em ele guiar esse primeiro esticão. Zé conseguiu guiar com poucas proteções precárias em móvel e protegendo nos arbustos que ficavam no topo. Com exceção do ataque de formigas e de muitas pedras soltas com risco de me acertarem, ele guiou 50 m da cordada em móvel sem maiores problemas.

 

Fotos 2 e 3: primeiros registros da via: Zé Gabriel na fenda inicial de 4º

Tivemos uma boa surpresa: o trecho de arbusto se estendia somente por uns 5 metros, logo após havia uma saída para pedra que parecia promissora do lado esquerdo. Foi aí que batemos a parada da via e eu comecei a guiada da segunda cordada. Nesse momento passava das 15h e o sol batia na pedra, porém esta parte de aderência estava bastante babada e suja de líquen. Fiquei bastante drenado com os lances, mas consegui progredir uns 15 m e bater duas chapeletas. Parei na parte que verticaliza, muitas agarras quebrando, o dia já estava terminando e a esta altura achei que só conseguiria passar do lance com cliff, e nem os tinha no dia. Voltamos para casa já no entardecer, mas aquela cordada ficou na minha cabeça a semana inteira. Não conseguia parar de passar como iria vencer aquele lance.

Foto 4: segunda cordada, os lances seguem na parte exposta de pedra indo pra esquerda e passando no único trecho sem vegetação.

Na semana seguinte voltamos eu e Zé Gabriel novamente, com a companhia de Alexandre Langer, João Neuhaus e Matias. O Zé guiou o lance, dessa vez com as peças móveis do Langer, deixando a enfiada muito bem protegida. Eu subi na sequência e logo já reiniciava a conquista da segunda cordada. Eu estava muito mais focado nessa investida, o lance que achei que faria só com cliff, dei uma escovadinha e passei em livre, protegendo logo em seguida. Segui na conquista muito bem mentalmente, apesar da aderência suja e dos regletes quebrando. Quando a corda já estava acabando achei um platozinho incrível, onde decidi fazer a P2, com 55 m.

Foto 5: João Neuhaus no platô da P2

Agora foi a vez do Langer tocar a sequência da terceira cordada, fortes rajadas de vento aconteciam nessa hora, aumentando a “drena”. A linha sai do platozinho pra esquerda, pegando uma fenda de uns 2 m onde ele protegeu com alguns friends e depois tocou pra cima passando à direita da vegetação. Depois da vegetação, uma surpresa! A nossa via esbarra num veio de cristais incrível que faz um corte em diagonal na montanha para a esquerda. Na hora a gente só escutava o Langer gritando de felicidade falando do que tinha encontrado. Ele tocou uns 45 m e decidiu fazer uma parada num ponto onde o veio começava a ter mais vegetação e ele percebeu que existia uma linha limpa para cima. O visual nessa parte é de tirar o fôlego, tínhamos uma visão ampla da região, inclusive da Baía de Guanabara e das montanhas ao fundo.

 

Fotos 6 e 7: Langer conquistando o início da terceira cordada (esquerda). Veio de cristais, um dos trechos mais bonitos da via (direita).

A próxima enfiada o Zé Gabriel tocou, segue uns lances de aderência mais tranquilos em linha reta, passando a esquerda de uma vegetação e chegando numa parada confortável (P4), a cordada ficou com 50 m. Infelizmente o dia já estava acabando e decidimos encerrar a investida.

Foto 8: lances em aderência da quarta cordada

Voltamos ao Gaia quando a janela de tempo permitiu. Repetimos todos os lances, e a quinta cordada, que era bem mais tranquila, foi conquistada pelo Matias que estava aprendendo, e pelo João. A maior parte dessa cordada é uma escalaminhada bem fácil, com um lancezinho de escalada no final para chegar na P5.

Foto 9: João passando uns betas de conquista para o Matias na quinta cordada.

A sexta cordada quem tocou foi o Zé, ela começa numa aderência salgada, talvez um V, por uns 10 metros, depois fica mais tranquila e vai até chegar numa parede vertical, onde ele contornou pra esquerda até chegar num lance de fenda bem maneiro. O doido tocou direto e o lance ficou bem exposto, depois eu e o Matias voltamos e intermediamos uma parte do crux.

 

Fotos 10 e 11: Zé conquistando a sexta enfiada (esquerda). Lances iniciais da sétima e última cordada (direita).

De presente de aniversário (eu faria 31 anos em poucos dias) deixaram a conquista da sétima cordada para mim. Apesar de já estar exausto do dia, essa parte da conquista foi irada. Começa protegendo em móveis em algumas fendas, e depois faz alguns crux em IVsup e V protegidos em chapeleta. Depois da parte mais difícil, aproximadamente 20 m, a via encontra uns lances com agarras e regletes bem maneiros até o final. Cheguei onde julguei ser um bom local para a parada já no fim do dia. A galera veio rápido subindo pela corda fixa. 

Com o horário avançado, o João foi na frente pra tentar achar alguma trilha para o cume, após uns 20 min ainda não sabíamos exatamente onde estávamos, decidimos a contra-gosto retornar via rapel. Nesse dia terminamos a via, mas sem saber, porque não achamos o cume e nem sabíamos se teria mais escalada.

Foto 12: minutos após bater a P7.

O cume só veio em outra investida, no dia 26 de junho de 2021, eu, Zé e Matias fomos com a missão de escalar a via inteira e de anotar as informações para fazer o croqui. Enfim, às 16h finalmente pudemos gritar “cumee”. Quis o destino também que a minha primeira escalada em São Gonçalo fosse também a minha primeira conquista em montanha, que privilégio. A via deve dar um quinto no geral, com cordada em fenda, aderência, regletes no vertical, veio de cristais em diagonal, e uns trepa matos também. 350 metros de muita aventura. Chamamos a via de “Gaia Vive”. Uma lembrança aos fragmentos de mata atlântica que ainda resistem, principalmente graças às nossas montanhas e áreas de conservação ????✊????.

Que venham as próximas!

Foto 13: o dia em que finalmente gritamos “cumeeee”

Início da trilha e local para estacionar o carro: https://www.google.com/maps/@-22.8599998,-42.9011246,128m (trajeto de carro por Maricá não recomendado devido às péssimas condições da estrada)

Para acessar o croqui, clique aqui.

 

Para quem perdeu! Restauração de Ecossistemas em meio urbano em Niterói: Parque Orla Piratininga

Olá pessoal!

Já está disponível no nosso canal no YouTube o vídeo com a palestra ministrada pela nossa sócia Andressa Lima, no dia 07 de junho de 2021, sobre  “Restauração de Ecossistemas em meio urbano em Niterói: Parque Orla Piratininga”. Andressa nos mostrou a estratégia adotada pelo Município abordando a restauração de ecossistemas por meio da implantação de um parque ecológico urbano na orla da Lagoa de Piratininga. ????????????????☘️????????

Vocês também podem clicar no link abaixo para acessar o PDF da apresentação.

https://drive.google.com/file/d/1GC0rWTd9rLGcuO8bUtIeNuGpFv8yb-dP/view?usp=sharing

Relato de escalada: Chaminé Cachoeiro – Pico do Itabira

Por Luis Augusto Avellar

No dia 4 de junho de 2021 fiz a minha primeira escalada clássica fora do Rio de Janeiro e, de longe, a minha via mais longa até hoje. A Chaminé Cachoeiro no Pico do Itabira, Cachoeiro de Itapemirin/ES. Foram 17h escalando e 26h até voltar para a base. Um tipo de via que você sai achando que nunca mais vai voltar, mas quando toca o chão da base na volta, dá aquela sensação única de missão cumprida. É uma vontade leve…, mas crescente, de voltar um dia. Nesta via teve Arbusto que virou personagem da escalada, um encontro contrariando todas as probabilidades, avistamentos de corujas brancas, seus filhotes e ninhos com ovos. Também teve ninho de urubu, corda prendendo no final da via, escalada varando a noite, bivaque não planejado e tudo que uma aventura precisa para ficar na memória de um montanhista.

Tudo isso começou com uma proposta do Leandro e Blanco. Fazer uma viagem para fora do estado para escalar. O objetivo era escalar a Chaminé Cachoeiro do Pico do Itatiba, uma escalada clássica do Espírito Santo próxima da cidade de Cachoeiro de Itapemirim. Na época não conhecia nada sobre o pico ou qualquer via do Espírito Santo, mas já gostei da ideia e comecei a me planejar. No início era uma escalada com duas cordadas de 2, mas logo se transformou em uma cordada de 3 com a desistência do Marcelo Correia. Ele ainda estava voltando a pegar o ritmo de escaladas mais fortes. Sendo assim, a cordada seria formada por mim (Luis Avellar), Blanco e Leandro do Carmo. Todos do CNM.

A viagem aconteceu no feriado de Corpus Christi entre o dia 3 e 6 de junho de 2021. No primeiro dia, fomos até o Pico do Frade com outras pessoas do CNM que estavam na viagem. A via é bem fácil e o acesso era próximo dos Chalés dos Frades, onde estávamos hospedados. No dia seguinte (sexta-feira, 4 de junho) iríamos acordar cedo para fazer a via. Porém nessa quinta sofremos mais uma baixa na cordada, o Leandro.

Na verdade, a baixa já era esperada, mas nesse dia tivemos certeza que Leandro não iria ter condições de ir. Durante o nosso treinamento para a via, subimos duas chaminés clássicas do Rio, a Chaminé Stop e Chaminé Gallotti no Pão de Açúcar. Na segunda começamos pelas duas primeiras enfiadas do lagartão e emendando na Gallotti. Na saída do lance da meia lua, num domínio de platô, Leandro acabou apoiando uma costela na rocha e acabou forçando ela durante o movimento. A costela não quebrou, mas gerou dores que impossibilitaram sua subida ao Itabira. O teste definitivo foi na subida dos degraus para o cume do frade na quinta-feira. Leandro teve muita dificuldade e percebeu que não tinha condições de encarar a via no dia seguinte.

Desta forma, fomos apenas eu e Blanco para tentar a via. Vimos instruções do acesso no guia de Escaladas Capixabas e lemos os poucos relatos de repetições. Pelos relatos percebemos que a via era bem estafante, longa, com muitos trechos de escalada fechados por vegetação e arvores secas. Alguns bons escaladores desistiram no meio e voltaram, outros tiveram que dormir no meio da parede e os mais bem sucedidos chegaram ao cume de madrugada, dormindo lá (o que acabou sendo o nosso caso). Também, como não sabíamos como seria o acesso ou se conseguiríamos entrar pela propriedade do pessoal do @eco_park_itabira (que descobrimos serem pessoas muito simpáticas e hospitaleiras). Saímos apenas no nascer do sol e já estávamos esperando descer no meio da via sem chegar ao cume.

No entanto, ao chegar na propriedade nos deparamos com o portão fechado. O filho dos proprietários nos encontrou por acaso. Ele disse que teríamos que marcara entrada com antecedência. Nesta hora já começamos a pensar que teríamos que abortar a missão. Porém, ao contatar a proprietária, ela disse que estava tudo acertado e que poderíamos entrar. Não entendemos na hora, mas subimos até o estacionamento da casa e fomos muito bem recebidos.

Nesse ponto aconteceu algo muito improvável que mudaria a nossa história no Itabira. De acordo com o pessoal local, a Chaminé Cachoeiro não havia sido repetida há pelo menos 2 anos. No entanto, contra todas as probabilidades, dois escaladores chegaram logo em seguida para fazer a mesma via. Os dois eram o Gustavo Diniz (@diniz.gustavo) e a Lívia Cardoso (@liviascardoso) do CERJ.

Eles já chegaram bem mais confiantes do que nós. Estavam bem equipados, com direito a clip stick, cobertor de emergência, muitos móveis e tudo que pudesse precisar para superar esse desafio. Eles nos propuseram fazer uma união de forças CERJ/CNM para vencer o desafio. Ainda afirmaram, “Não vamos descer antes de conquistar o cume!”

Essa atitude nos animou, mas ainda estávamos descrentes que seria possível terminar a via. Eu e Blanco combinamos de decidir se seguir com eles e avaliar se continuaríamos dependendo do andamento da escalada. O dead line para desistir seria 15h.

Seguimos para a base da via por uma trilha bem aberta com trechos de corda fixa e degraus de vergalhão até a base da via. O filho da proprietária nos guiou até quase na base da via. Avistamos o começo da subida, que era um misto de agarras e chaminé até a parada (P1).

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1° Enfiada

Começamos a escalar às 8h. Gustavo logo se prontificou a começar guiando, seguido pela Lívia. Ele puxou as mochilas com uma corda e logo subiu o Blanco e eu.

O começo da enfiado e relativamente fácil, com boas agarras e pequenos platôs. No final começa um trecho de chaminé mais larga em que precisa esticar bem as pernas, com as costas ainda na parede, para conseguir passar. Ali já deu para sentir o gostinho do que seria quase toda a via, que é predominantemente em chaminé, indo de muito estreita até larga.

Como a P1 era em um platô muito estreito (como iriamos ver em quase todas as paradas), o Gustavo seguiu para a segunda enfiada, enquanto Lívia e Blanco ficaram na P1. E eu acabei ficando pendurado pela corda no final da enfiada, meio sentado, meio entalado na chaminé.

2° Enfiada

Na segunda enfiada era necessário subir um pouco mais até um grampo “pé de galinha” antigo, montar um rapel e fazer um pêndulo saindo do primeiro sistema de chaminés para a P2 que fica bem abaixo de outra chaminé que corre em paralelo. No nosso caso, colocamos um móvel para servir de backup do grampo antig.

O pêndulo é um pouco desconfortável de fazer. O grampo fica bem dentro da chaminé e é preciso sair indo numa diagonal bem forte e curta para a direita. Algumas mão e pés bons na saída da chaminé ajudam a fazer o lance melhor.

Gustavo, chegou até a P2, seguido pela Lívia e já começou a adiantar a terceira enfiada. Eu e Blanco ficamos esperando na P1.

3° Enfiada

A terceira enfiada tem trechos de escalada expostos, em fenda, chaminé e agarras. Chega em um grampo alto dessa chaminé e faz um novo pêndulo para a direita até a P3. Gustavo decidiu sair do grampo anterior até a P3 em uma horizontal. Acabou funcionando bem, já que a fenda não é tão funda e a passada é um pouco mais fácil que a anterior. A P3 é uma parada dupla bem aérea, em que se fica pendurado apoiado em pés pequenos. Mais acima começa o terceiro sistema de chaminés que seguem em paralelo nessa parte. Essa segue até chegar ao cume.

Enquanto eu e Blanco estávamos chegando nesta parada, Gustavo começou a escalar até a P4.

4° Enfiada

A quarta enfiada começa com uma fenda pequena que se torna uma chaminé apertada. Essa chaminé é tão apertada que te obriga a tirar o capacete para conseguir virar a cabeça ou sair um pouco da chaminé, ficando bem mais exposto. Esse é um dos CRUXs da via, um VI grau. Durante essa parte Gustavo teve até que afrouxar um pouco a cadeirinha para conseguir passar.

Logo depois é preciso passar por uma vegetação no meio da chaminé que atrapalha bastante a passagem. Mesmo tentando desviar, volta e meia éramos “capturados” por galhos que entrelaçavam no equipamento e nos seguravam.

Gustavo parou em uma proteção dupla logo antes do segundo trecho de mato fechado, onde há blocos de pedras entaladas em uma chaminé média. Achávamos que ali já era a P4, já que esta dupla não estava no croqui. Acabamos contando as paradas errado até a P6 por conta disso. A partir daqui começamos a quebrar a cabeça tentando entender onde estávamos na via.

O “CRUX do Arbusto

Esse trecho merece um capítulo próprio. Essa via tem um Arbusto que acaba sendo um personagem próprio nesta saga. Tenho certeza de que nenhum integrante dessa cordada, das cordadas anteriores ou, possivelmente, das próximas vai esquecer desse elemento da natureza que se tornou um CRUX vivo da via.

Gustavo continuou guiando nessa parte, conseguiu mais avançar bem antes da P4 verdadeira. Aqui encontramos o nosso personagem. Ele estava solitário e tranquilo, em seu esplendor, no meio da chaminé que deveríamos passar. O Arbusto se mostrou bem mais fechado que o anterior. Parecia intransponível à primeira vista. Gustavo ficou bastante tempo tentando ver uma possibilidade de passar do arbusto. Chegou até a entrar mais na chaminé por trás dos blocos entalados e tentar passar por trás num buraco bem estreito, na esperança de contornar nosso amigo. Só que, o buraco não seguia muito adiante e terminava no meio desse arbusto.

As enfiadas até aqui acabaram sendo bem demoradas por conta dos pêndulos e do trecho de vegetação bloqueando o caminho. Já era perto de 14h e eu comecei a pensar que teríamos que começar a descer. Ainda faltavam muitas enfiadas e começamos a pensar, que dificilmente chegaríamos ao cume de dia. No entanto, vendo a dificuldade e empenho do Gustavo, resolvi ir até ele para ajudar. Chegando lá, encontrei Gustavo tentando subir entalado no buraco dando de cara no Arbusto de novo, agora pelo lado de dentro da chaminé.

Aquele trecho, de fato, parecia instransponível. Galhos se espalhavam por toda a passagem, bem resistentes e pontudos. Uma quantidade muito grande de galhos secos ainda ficava presa no emaranhado, piorando a situação. Não havia como contornar. Tínhamos que perturbar a paz do Arbusto. O único jeito foi passar por dentro dele em um trecho vertical sem a possibilidade de usar algum pé ou agarra da rocha.

Gustavo me deu uma segunda segurança por dentro do buraco me puxando para junto da rocha. Comecei retirando todos os galhos soltos que conseguia. Depois comecei a tentar mover alguns galhos para o lado para passar. Era bem difícil. Os galhos eram bem resistentes ao movimento. Com muito esforço achei um lugar melhor para empurrar. Gustavo retesou a corda, encaixei um pé na única parte acessível da rocha e subi uns 50cm, para dentro do arbusto.

A situação ali ainda era pior. Mais galhos por toda a minha volta, ainda mais resistentes, muitos na minha cabeça. Todo o equipamento agarrava a cada movimento. Não conseguia nem mover a cabeça direito para olhar em volta. A partir daqui tinha tantos galhos em volta de mim que tive certeza que não cairia mesmo que quisesse. Era mais fácil ficar preso de vez.

Consegui afastar alguns galhos bem duros, me espremer e passar devagar, lutando para o Arbusto me deixar passar. Tive que, efetivamente, “nadar” nos galhos, já que não conseguia mais alcançar qualquer parte da rocha. Uma hora o arbusto desistiu de mim e achou mais fácil me deixar passar. Mas até tirar a perna de dentro foi difícil. Por sorte (ou azar) o arbusto era tão forte que nem parecia que eu tinha passado por ali. Ainda estava intacto, mesmo depois dos puxões e pisadas que dei para passar. Cheguei, enfim, na P4 verdadeira (achando que era a P5).

Essa parada é na parte de baixo de um longo trecho de chaminé. O platô era bem pedregoso e apertado, passando uma pessoa por vez ou duas apertando, mas a chaminé era bem funda.

Dei segurança para o Gustavo, Blanco e Lívia, em seguida. Todos passaram com a mesma dificuldade e, mesmo depois do último, o Arbusto se manteve imponente e sólido onde estava. De fato, dá para considerá-lo como um CRUX da via em si.

 

Quando chegamos nesta parada já passava de 15h e tínhamos que fazer uma escolha. Descer dali ou continuar, correndo o risco de dormir na parede. Só que, o Gustavo e a Lívia, com sua animação característica, nos animaram a seguir. Disseram que as primeiras cordadas eram as mais trabalhosas por conta dos pêndulos e vegetação fechada e que poderíamos chegar ao cume ainda com luz. Na empolgação da passagem pelo CRUX do arbusto, fomos ingênuos em acreditar que ainda poderíamos dormir na pousada naquela noite.

Curiosamente, nessa parte e em uma enfiada acima, encontramos ninhos de corujas brancas, animal que nunca tinha visto antes. Gustavo chegou a ver uma coruja adulta voando e um ninho com um ovo. Eu só consegui ver um outro ninho em uma enfiada a frente com dois filhotes já nascidos e bem maiores do que imaginava para um filhote de coruja. Também, encontramos ninho de urubu com um ovo perto das últimas enfiadas.

5° Enfiada

Apesar do nosso otimismo inicial, a via não ficou mais fácil a partir daqui. Para cima haviam trechos técnicos e enfiadas mais longas. Além disso, boa parte da nossa energia havia sido consumida nas enfiadas anteriores e muita energia ainda seria necessária para as próximas.

Esta enfiada começou com Blanco substituindo o Gustavo na guiada. O trecho de chaminé era mais constante e de dificuldade média, mas bem longo. Em algumas partes precisa ficar bem esticado quando a chaminé ficava mais larga. Começamos a levar as mochilas penduradas na cadeirinha. A estratégia de rebocar todas as mochilas de uma vez, foi abandonada depois da luta da Lívia para empurrar as mochilas através do “CRUX do Arbusto”. Como eu e Blanco levamos apenas uma mochila, o primeiro da cordada subia mais leve, enquanto os demais subiram cada um com uma mochila pendurada.

Subi logo após o Blanco. A P5 é um pequeno platô de pedra no final do trecho de chaminé. Não dava para ficar em pé por conta dos galhos de uma arvore. Livia e Gustavo começaram a subir logo em seguida. Peguei um folego, bebi um pouco de água, dei uma olhada no croqui, deixei a mochila na parada e comecei a guiar a enfiada.

 

6° Enfiada

Como estávamos contando as paradas errado, achávamos que essa era a sétima enfiada. A enfiada que mais difícil da via. Terminar a 7° enfiada antes de escurecer seria um alívio. Sendo assim, me apressei e comecei a escalar na esperança de estar seguindo para a P7. Contornei a arvore e comecei a subir. Estava esperando dois grampos logo na saída, mas não encontrei nenhum. Pensei, “Pow, que estranho, né? Este croqui está muito errado…”. Fui subindo com alguma facilidade e cheguei em uma pedra entalada em forma de laca que dividia a chaminé em dois. Fui pelo caminho mais fácil, que era pela direita. Chegando ao tetinho que tinha desse lado ia passar para a esquerda da laca. Porém, não encontrei boas mãos ou pés e desisti da ideia de passar por ali. Tirei o móvel que tinha colocado ali e desci até uma “chapeleta esquisita” que tinha antes. Pensei, erradamente, comigo mesmo, “Haa! Esse deve ser o lance de VI da 7° enfiada… Tava na hora de chegar…”. Decidi seguir para o lado esquerdo meio em chaminé e agarras e passei bem pelo lance. Fiquei surpreso de ter feito um “VI”, com tanta facilidade. Cheguei na parada, que deveria ser uma parada natural, mas encontrei uma parada dupla num platô estreito que só cabia uma pessoa. Olhei mais adiante e lá estavam os dois grampos logo na saída da parada. Demorou para cair a ficha, mas era isso. Estava chegando na P6 e não na P7.

Perguntei pro Blanco se ele ia guiar a próxima enfiada. Ele pegou um folego, deixou a mochila comigo e logo começou a escalar enquanto os outros começavam a subir até essa parada.

7° Enfiada

Logo que Blanco começou, achou estranho um trecho tão exposto e forte naquela que deveria ser a 8° Enfiada. Nessa hora já estava escurecendo e todos estavam bem cansados, mas, finalmente, caiu a ficha que estávamos na P6 ainda.

Blanco foi protegendo em móvel onde dava e progredindo com calma usando uma headlamp. Em uma parte, tinha um galho enorme atravessando um lance bem atlético do VI. Ele testou o galho e pisou nele para avaliar o lance. Quando foi tentar avançar, ouço um estalo alto. O galho caio imediatamente e passando perto de nós abaixo. Baita de um susto. Por sorte não acertou ninguém e Blanco caiu pouco por conta de um móvel que tinha posicionado.

Após o susto, continuou seguindo aos poucos até que acabaram seus moveis e ele teve que fazer uma parada improvisada. Nesta hora, devido ao anoitecer, ao cansaço e a sensação de não saber muito bem onde estava na via, quase desistimos de continuar. Nem Lívia ou Gustavo estavam com disposição para continuar também.

Mas não tínhamos muita escolha. Blanco não conseguia descer de onde estava ou continuar. Não tínhamos muita noção do quanto faltava para a P8 e que tipo de lances ainda tinham que ser superados para chegar lá. Juntei um pouco de folego e comecei subir. Pensei, “Pelo menos, não preciso pendurar a mochila na cadeirinha. Dá para botar nas costas mesmo, pois não tem chaminé aqui. Que bom…”. Quando a gente está no sufoco é preciso ser otimista, né?.

Fui subindo os lances com o folego que tinha e consegui chegar até o Blanco. Chegando lá vi que ele tinha parado em um buraco onde ficava de lado. Deixei algum material com ele e continuei com os móveis tirei de baixo. Logo vi um piton antigo. Peguei o clip stick com o Blanco e clipei uma costura. “Pelo menos parece que estou indo no caminho certo.”. Continuei seguindo em um trecho de agarras e um trecho de chaminé até a parada natural. Enfim a P7.

Armei a segurança no começo do platô onde tinha uma arvore. Fiquei deitado e deixei a luz da headlamp apagada enquanto dava segurança para o pessoal subir. Tudo para juntar mais motivação para continuar escalando mais 3 enfiadas até o cume. Quem ia chegando buscavam encontrar algum lugar para sentar e descansar naquela parada. A parada era grande, mas não dava para chamar de confortável.

8° Enfiada

Já sabíamos que não iriamos dormir na pousa naquela noite. A dúvida seria, se iríamos dormir no cume ou se entregar ao cansaço e dormir sobre alguma pedra naquela parada. Ninguém tinha mais disposição para guiar a próxima. Mas nessa hora, Gustavo tirou o resto de energia do fundo da alma e começou a escalar a enfiada. Isso foi o suficiente para nos motivar a seguir em frente. Ele chegou bem na P8 e trouxe a Lívia logo em seguida. Fui o próximo. Cheguei na parada substituindo o Gustavo na segurança para que ele pudesse continuar tocando.

 

9° e 10° Enfiadas

Gustavo passou de um lance exposto e forte logo na saída e seguiu rapidamente pelo trecho acima, passou da parada natural da P9 e parou apenas em uma parada opcional, já perto do cume. Estamos bem próximos do objetivo.

Já passava de meia noite quando cheguei nessa parada. Era um platô bem amplo com bons espaços para deitar. Armei a segurança do Blanco, enquanto Gustavo seguia para os últimos metros da via. Ele subiu bem o lance de Vsup, o último lance mais difícil da parede. Passou da P10 e foi direto para os grampos que tinha no cume. Chegando, enfim, perto de 1h da manhã no objetivo final e gritando

A Lívia foi logo em seguida. Depois eu e Blanco. Chegamos perto de 2h da madrugada, totalizando 17h de escalada. Era um alívio ter chegado lá. Só consegui tirar o material e deitar na pedra por uns bons minutos.

 

Enfim cume

Nesta hora, não ligamos mais para ter que dormir no cume. Era bom demais estar lá em cima.

Buscamos algum lugar que tivesse abrigo do vento, que já estava bem gelado. Dormi numa pequena clareira da vegetação, suficiente para conseguir deitar em um pouco de terra onde haviam menos pedras para incomodar as costas. Fiquei de anoraque e uma camisa uv enrolada nos pés (já que tinha ido de chinelo e não conseguiria dormir com a sapatilha apertada). Coloquei uma corda espalhada pelo chão e dormi algumas horas sobre ela até amanhecer. Todos fizeram algo semelhante para dormir um pouco e encarar a descida, que não iria ser leve também.

Descida

Foto 19 – No cume do pico do Itabira 2.

Foto 20 – No cume do pico do Itabira 3.

Acordei perto de 6h com uma chuva caindo. Não era muito forte, mas chegou a molhar bem os equipamentos e a nós. Nos apressamos para descer. Gustavo entrou em contato com o conquistador de uma via ferrata, que terminava no outro lado no pico, para pegar informações para a nossa descida. A face dessa via não tinha fendas e era bem vertical, as vezes negativa. A vista era impressionante. Podíamos ver a base lá do cume, em uma linha reta para baixo. Mais de 300 metros de abismo.

A via não tinha grampos até perto da base. A descida era feita por degraus feitos de vergalhão fincados na pedra a cada 75cm. Começamos a descer usando duas solteiras nos prendendo aos degraus. Eram muitas centenas de degraus até a base. A mochila estava pesada e puxando o corpo para trás a cada descida de degrau. Ainda era preciso fazer o procedimento com atenção para não confundir as solteiras e acabar se enrolando. Depois de uns 30 min descendo não parecia que tinhamos chegado na metade dos degraus. Peguei uma corda dupla que usamos na escalada e começamos a descer em rapeis de 60 metros passando a corda em 5 degraus de uma vez pelo menos. Foram 3 rapeis desses até chegar finalmente até a base. Uma das sensações mais gratificantes que tive em uma escalada. Sensação de missão cumprida!

Recompensa!

Tudo que queríamos era chegar no estacionamento da casa e seguir para a nossa pousada. No entanto, tivemos uma recepção que não esperávamos. Primeiro fomos recebidos com garrafas de água gelada na base, trazida pelo conquistador da via ferrata, Ezequiel. Depois, chegando na casa dos proprietários do terreno (que na verdade era uma plantação de café e outras coisas), fomos recebidos com um café da manhã muito bom. Tinha café, pão, frutas, suco de graviola, e outras coisas mais.

Conversamos, contamos histórias e fizemos bons amigos.

Agradeço a todos que fizeram parte desta história. Espero encontrá-los mais vezes pelas montanhas!

 

Luis Avellar

CNM – Clube Niteroiense de Montanhismo.

laam88@gmail.com

@luisaugustoeq (Instagram)