Mínimo Impacto

Nos últimos anos o número de pessoas praticando atividades turísticas e recreativas ao ar livre vêm crescendo vertiginosamente. A prática de esportes em ambientes naturais tem se tornado cada vez mais comum e com isto a própria natureza, que lhes oferece o local ideal para a prática, vem sendo ameaçada.

Diante desse crescente impacto, o Clube Niteroiense de Montanhismo – CNM, única entidade de montanhismo na cidade de Niterói filiada à Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro – FEMERJ, assume publicamente o compromisso de desenvolver suas atividades guiadas pelos princípios do mínimo impacto.

Apesar da não existência de consenso sobre o que seja o mínimo impacto, a comunidade montanhista do estado Rio de Janeiro, instituiu em seu código de ética uma série de orientações para nortear práticas mais conscientes. Essas são baseadas em convenções e programas internacionais, tais como Declaração do Tirol  que entende que “gerações futuras precisarão encontrar suas próprias NOVAS aventuras dentro desse limitado recurso”; e que devemos “desenvolver em paredes ou montanhas de uma forma que não roubamos a oportunidade do futuro”.

Dentre as orientações da FEMERJ destacamos:

  • Escalar e caminhar com responsabilidade.
  • Zelar pelas montanhas e seus acessos, proteger o patrimônio natural e cultural dos locais visitados, incluindo sítios arqueológicos, paleontológicos e cavernas.
  • Seguir as recomendações de mínimo impacto ambiental, incluindo as discutidas e acordadas em Seminários de Mínimo Impacto promovidos pela FEMERJ.
  • Durante a escalada ou o rapel, fazer o possível para reduzir os danos sobre a vegetação. Não obstante, evitar a prática exclusiva de rapel em vias de escalada.
  • Restringir sua passagem na parede ao estritamente essencial. Não usar proteções fixas ao lado de fissuras, fendas, rachaduras e buracos que possam ser protegidas com equipamentos móveis.
  • Minimizar o impacto visual em boulders e falésias, habituando-se a limpar as agarras frequentemente.
  • A rocha natural já nos oferece desafios suficientes. Não colocar agarras artificiais, quebrar propositalmente ou cavar agarras.
  • Apenas realizar campeonatos, competições e eventos em áreas destinadas ao uso intensivo (muros de escalada artificiais, estradas e praças públicas), de modo que não haja aglomerações de pessoas em espaços naturais.

Existe também o programa Pega Leve, que apresenta um conjunto de princípios e práticas para o mínimo impacto adequado a realidade brasileira, na busca de uma mudança de atitude positiva em relação ao uso público em áreas naturais e em unidades de conservação, como os Parques Nacionais. O Pega Leve adota oito princípios base da ética para se desfrutar da natureza sem agredi-la:

  • Planejamento é Fundamental;
  • Você é responsável pela sua segurança;
  • Cuide dos locais de sua aventura;
  • Traga seu lixo de volta;
  • Deixe cada coisa em seu lugar;
  • Evite fazer fogueiras;
  • Respeite os animais e plantas;
  • Seja cortês com outros visitantes e com a população local.

Recentemente o CNM iniciou uma campanha entre seus associados em favor do programa O PACTO. Lançado pelo Acesso PanAm, uma organização latino americana, que se dedica a promover os acesso as áreas de escalada e montanhismo nas Américas, O PACTO incentiva a todos os escaladores a se comprometerem com a natureza, a partir de propostas de atitudes simples. Como fruto dessa campanha, produzimos um vídeo institucional a fim de ampliar a divulgação do programa.

Motivados por esses princípios do mínimo impacto e envolvidos pelo espírito colaborativo, o CNM atua em parceria com a administração do Parque Estadual da Serra da Tiririca – PESET – local aonde concentra a maior parte de suas atividades e ocupa uma cadeira no conselho consultivo desde 2008 – na promoção de mutirões, divulgação de eventos ambientais, fiscalização e fomento de grupos de trabalho sobre as atividades de aventura no PESET. No que se refere propriamente ao mínimo impacto, o CNM tem como orientador um conjunto de diretrizes debatidas a partir dos Seminários de Mínimo Impacto, já realizados entre a comunidade montanhista local, com o apoio da FEMERJ e o PESET:

  • Devemos evitar a conquista de vias redundantes, ou seja, vias que se desenvolvem de maneira muito semelhante à outras próximas;
  • Devemos priorizar o uso de móveis em locais que haja fenda e fissura, desde que estas não tenham possibilidade de quebra com a proteção;
  • A vegetação em rocha é frágil, pois ela se restringe em áreas pequenas e com solo raso. Quando escalamos devemos tomar cuidado com qualquer vegetação, sem se segurar ou pisar nela e nem permitir que a corda caia em cima da vegetação.

Além disso, o CNM orienta seus associados a não apenas carregar seu próprio lixo de volta, como também coletamos qualquer outro deixado por outras pessoas; a não abrir atalhos; não alimentar  e nem molestar os animais; não coletar plantas ou sementes e não marcar árvores nem pedras.

Ou seja, nós montanhistas, estamos comprometidos com a conservação da natureza buscando assegurar o valor ecológico e as características naturais de montanhas e paredes em todo o mundo. Isso inclui a proteção de espécies ameaçadas de flora e fauna, de seus ecossistemas e da paisagem.

Como visitantes em qualquer área natural, devemos sempre nos comportar de forma educada e com prudência em relação à natureza – nossa anfitriã. Recomendamos o conhecimento das regras e normas das Unidades de Conservação antes da visita. E que nestas adotemos atitudes simples, mas que fazem toda a diferença para conservação da natureza.

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